Força e energia de vida, lidando com a Kundaliní

O quase impossível fluxo de força, poder e energia na vida

As pessoas pensam de forma muito diversa com relação à força e à energia de vida. Quanta força você quer? Quanta energia você sente de estimular? O que a força e a energia realmente querem dizer para você? No caso, as pessoas acham que força e energia, é algo que se reserva, mas se pararmos para pensar bem, força e energia são fluxo. Assim como o dinheiro, que é fluxo, não estoque.

“Força” pode ser uma palavra dual, muitas vezes. Para algumas pessoas, a força possui um sentido negativo. Elas cobiçam força como um tipo de “poder”, seja emocional, seja mental, seja físico. Outros sentem que ela oprime, como se fosse algo suspeita, que gera vítimas.

Além disso, sair da armadilha de pensar na força em termos de domínio. E nem também como algo a ser imposta. E o Tantra não defende que você deva impor à força também, seja a si mesmo, seja para os outros. Não é difícil notar que tanto a força como a energia estão presentes no mundo, e são relevantes para fazer a diferença. Você pode moldar suas próprias percepções, e mexer com sua própria força de pensamento. Você faz o que você quer fazer? Ou você adere à visão de mundo de outra pessoa?

O ato de impor é repressivo, diferente de lidar com a força e energia de vida, no âmbito pessoal

Não existe perenidade nesse ato de impor, por conta da lei de ação e reação, ele é repressivo. A energia da kundaliní mexe com mudanças internas, para moldar suas percepções, para tornar as coisas a favor de você e não contra você. Então, no fluir da existência, o desapego é um exercício constante para deixar a vida mais leve. Através dele, você vai perceber que não há o porquê de impor qualquer coisa a qualquer pessoa, inclusive a si mesmo.

Se há algo que caracteriza o mundo moderno, é o enorme, quase inimaginável, fluxo de informações e, portanto, de mudança. De livros e filmes, notícias falsas, produtos descartáveis e falsos. Você quase não se importa de gastar 50 reais por uma peça de tapete. Mesmo com o site mentindo seu tamanho. Assim, faz mais dinheiro quem conseguir produzir mentiras mais críveis. Cursos maravilhosos que resolvem sua vida! Então na sociedade, as pessoas com meios de corromper a verdade, conseguem prometer rios.

Assim, a força pessoal é maleável, não imposta. Seja no âmbito mental ou emocional, você pode aprender a modular a quantidade de esforço no dia a dia. Então, como gerar os efeitos que você mais quer? O segredo está em trabalhar com a energia criativa e receptiva, em interação com outros no processo. Enquanto isso, o Tantra e o Yoga servem como uma espécie de lab de vida. Por isso, nesse contexto, fazer um workshop de fim de semana de massagem tântrica pode ajudar a virar umas chaves internas.

Seja capaz de ver seus próprios processos de pensamento

Ver sua própria atitude interna, e perceber como surge o seu pensamento, é importante para que você possa chegar onde quer que seja. Isso significa ter os resultados precisos que você deseja. Ao longo do tempo, a força de vontade tomou muitas formas contraditórias. É mais fácil para “as vendas” trabalhar com resultados imediatos. Mas a sabedoria ancestral do Tantra recomenda o olhar para o aqui e agora. Sem sofrer.

O Tantra mexe, em um primeiro momento, com a consciência. Ele ajuda a expandir, é por isso que dizemos que se trata de uma fisio filosofia. Nos tempos antigos, a lei era a do mais forte (no campo físico). Hoje em dia, vivemos uma falsa ilusão de que a mente está dissociada do físico. Não se trata de simplesmente cultuar a força física, mas como no ditado grego “mens sana in corpore sano” tanto a força emocional e a força mental estão relacionadas a aspectos do corpo.

Portanto, quem fica 16 horas por dia na frente do computador vê seu corpo e saúde definharem. Ou seja, ser forte significa ser capaz de conduzir sua vida e sua vontade. E entrar em interação com outras pessoas que se desenvolvem junto contigo, sem impor vontades.

Força e autoridade confundidas com energia dinâmica de vida

O primeiro passo é ser capaz de definir suas reais vontades. Assim como perceber o que você precisa para realizar. Não só suas próprias vontades mas também as das pessoas que estão à sua volta. Faz toda a diferença jogar a dança da criatividade com a receptividade.

Outros poderiam derivar a energia pela sua associação com ela. Na Rev. Industrial, ter o capital era poder fazer. Aqueles que tinham acesso a ele tiveram a força e energia de prosperar. Isso não significa hoje que essas coisas deixaram de ter um papel importante. Então passamos ao tempo do conhecimento especializado, e depois, com a internet, ao tempo de informação. Hoje, vivemos no tempo da “pós verdade”. E por isso, conhecer a verdade é tão importante: te ajuda a não perder tempo com armadilhas.

A questão dos processos internos dentro de um contexto do pós verdade: tudo pode ser “refutado” então a quê se ater sem se apegar? E isso tem tudo a ver com a Era de Kali, que dentro dos Yugas, é a era com o maior decaimento. O remédio para a Era de Kali é o Tantra, e não adianta quando tentam te vender algo (ou um Tantra) imediato. Ele é um conjunto de práticas para serem feitas no dia a dia. Com disciplina e constância. Não existem soluções mágicas e o processo envolve o trabalho com a Kundaliní de forma tranquila.

Acolher das emoções e como se livrar do “tenho que”

O acolher das emoções é algo diferente de submetê-las ao seu controle pessoal. Isso porque as convicções e paixões deixam de estar no centro das atenções e você passa a testemunhar aquilo que se sente. A vida opera por si mesma e a necessidade do presente se torna imediata, então de nada adianta querer direcionar para algo. Isso cria pré tensões.

É aí que mora a liberdade do Tantra! Ser livre para testemunhar tudo isso. Inclusive ser livre para testemunhar as próprias emoções, sem medo de sentir. Normalmente as pessoas falam “eu sinto muito” quando estão sentindo coisas tristes. Dizer eu sinto muito dentro do processo de desenvolvimento do Tantra é se abrir para sentir tudo: tristezas e alegrias, dores e prazeres. Isso em suma é viver, é a vida.

Existem pessoas tântricas que não sabem que são tântricas, da mesma forma que existem pessoas que acham que são tântricas mas não são. A quem passou e completou o processo de consciência meditativa. Ou seja, ser e estar no aqui e agora. Vai perceber que não vai mais haver a necessidade de “ter que” isso ou aquilo, ou pior, ter que ser isso ou aquilo.

A moral e os bons costumes e o acolher das emoções

Existem também aqueles que se dizem tântricos mas estão apegados à moral dual, mesmo que de forma sutil. Normalmente aparece em discursos dos “bons costumes”. Os processos que se fazem sentir, são parte de um todo; mas não adianta entrar em qualquer arte de “lutar”. Se a pessoa entra na luta, ela ainda está distante do processo de redenção próprio do Tantra. E no fim das contas, tudo bem também, cada qual terá seu próprio processo interior de percepção da consciência.

O ensinamento do Tantra, dos Sutras de Shiva, vai no sentido de não considerar nada como puro ou impuro. Mesmo que não esteja claro para o praticante em um primeiro momento, os começos duais podem parecer não têm custo algum. E à medida que você for desenvolvendo tal técnica de expansão, a não dualidade do Tantra vai ficando mais clara.

O Tantra diz que você pode! É difícil para a maior parte das pessoas acolher tanto a vida como a morte. Uma não é melhor que a outra! O ato de nascer muitas vezes dói mais que o morrer, mas a mente dá um atributo “bom” para o nascer. Parece sempre que o ato de nascer é “bom” e o de morrer é “ruim. E o que notamos é que não, o aqui e agora é o seu início e o seu fim

Jogos duais e a sacada do caminhar da trilha do Tantra

É aí que mora a “sacada” do Tantra para o ato de se tornar livre: parar de perder tempo com os tais jogos duais, porque não vale a pena. Se um profissional de #Tantra abraça o dual, significa que não deixou de lado sua ansia de poder, e o caminho rumo à libertação ainda não foi abraçado. E tudo bem também.

Faz parte do crescimento individual passar por etapas. É normal que os jogos da matéria divirtam por um tempo (às vezes mais de uma vida). Então o caminho do Tantra está em encontrar o poder da redenção e o #fluxo daquilo que é o mais fácil. Sem orgulho de quaisquer #lutas.

Dos jogos duais com a fluidez e viscosidade

A matéria te mostra o que é restrito. Então aprender a lidar com o restrito é algo em que se deve mergulhar, para então acessar a dimensão do abundante. Isso porque é a partir do #chão que alguém se apoia para se levantar e se alçar às alturas.

Dentro do padrão da maior parte das pessoas, a busca pela fluidez é comum. Nós nos deparamos com o #fluido, mas nos vemos presos no que é viscoso. No meio do Tantra observa-se com frequência a luta contra certos comportamentos. Por exemplo, os 7 pecados capitais muitas vezes sofrem represálias. Deles, o que envolve uma dos maiores combates é o do #sexo e sexualidade.

Ora, dentro do contexto de ascensão da #Kundaliní, o praticante vai acessar ímpetos de #luxúria. Não existe amor verdadeiro sem o crescimento sexual pleno. São processos e etapas, como o maturar de uma árvore. Primeiro ocorre tal processo, depois outro. Assim, o desenvolvimento pessoal passa pelos 7 #pecados capitais. Sem viver os “pecados”, é impossível viver o valor das virtudes.

Ter essa noção de que os processos ocorrem em #etapas e que está tudo bem acolher a sombra e a parte “pecaminosa” de si, vai transformar os momentos de virtude em estados de plenitude.

Condenar ou não condenar: o Tantra que não julga

A partir da práticas do Tantra, o praticante nota: não há nada em que se apoiar, não há que se fazer esforço, porque assim, o processo de se quebrar o jugo acontece: sonhar e ser livre. O Tantra diz: olhe para um objeto como se olhasse através dele, e o processo ocorre: o observador começa a ver a própria mente funcionar: ocorre o ato de observar a própria mente. Ou seja, o ato de condenar é uma forma de pensar que abarca sempre a exclusão, como se houvesse algo em que se apoiar.

Para o uso hindu, os Shastras (escrituras) dizem que o remédio para Kali Yuga é o Tantra. Através do Tantra, as pessoas poderão se apoiar em suas próprias naturezas e a partir daí sair do apoio que o jugo dá. Nessa era da pós verdade, as palavras cortantes do ato de cancelar fazem parte do dia a dia das pessoas. Os valores se apoiam em atacar pessoas que supostamente cometeram o “erro”, e a partir daí, em nome do bem, o direito é velado, revelado e relevado.

O acento para passar do fim ao princípio fica no giro da roda. E é a partir da natureza da mente, do seu zigue zague, que as doenças emergem. A falta de constância e equilíbrio da mente tem relação com a natureza do corpo. É por isso, meu amigo, minha amiga, que os processos do corpo são importantes para os processos da mente. O equilíbrio do corpo reverbera no equilíbrio da mente.

Condenar: o sim ou não

E se alguém passa a observar a própria mente, os atos do jugo também passam a não fazer sentido algum: os processos desse mundo pertencem à transição. Como no Sutra de Shiva: essa é a roda da mudança. E se a natureza da mente pode ser observada, condenações cessam. A ideia do processo Tântrico é passar para o estado de Samadhi através de Kundaliní, para então, a pessoa será capaz de abandonar o próprio Tantra.

Sem bom nem mau, sem certo e errado. O caminho do Tantra é inclusivo, como na frase: tudo é lícito, mas nem tudo me convém. É essa sensibilidade de notar o que há de se convir: é o tempo quem dita o que pode ser ok para si naquele instante. A liberdade só surge com o desapego, porque hora ou outra, isso ou aquilo, há de ser próprio. Ou não.

Limites da libido e como lidar com julgamentos?

“Sem apego e de forma natural” diz o Tantra de Tilopa. As cantigas trazem ensinamentos que vão além do que as palavras contam. E fazer sexo com total naturalidade? Além disso, seria viável em um lugar cheio de moral? “A sociedade não deixa”. Porém o meio do Tantra também não está fora da sociedade. É diferente se estudar como antropólogo o Tantra dos Drávidas: lá não havia um contato tão forte com a invasão ariana e sua moral que perpetua na sociedade até hoje. Mas será que dentro do meio tântrico existem limites para a libido?

Em suma, Tantra significa “técnica”; por vezes temos técnicas que são “da pele para dentro”, mas muitas delas tratam de interação social e a conexão com “o outro”. Por isso, aprender Tantra também significa lidar com as próprias sombras e com as sombras alheias. De forma geral, as sombras sociais aparecem no âmbito da fala, com palavras que julgam.

As 3 funções do Sexo e os limites da libido

Todas as espécies sexuadas utilizam o sexo com a função de procriação. Algumas espécies utilizam o sexo como fonte de prazer. Mas o Tantra atribui uma terceira função ao Sexo: a expansão de consciência. É aí que mora o cerne da questão: nós como seres humanos em uma “aventura” pela vida, temos a capacidade de aprendermos, de nos comunicarmos, e de sermos testemunhas da experiência da vida na terra.

Por isso, com as práticas do tantra, o ideal é que a pessoa pare de julgar se alguém utilizou o sexo para procriação, para prazer ou para crescer do ponto de vista espiritual. Todas as manifestações sexuais são parte da sacra energia e integram a libido, todas as experiências transformam, dentro dos limites da própria pessoa. Dessa forma, isso não impede de perceber que existem aspectos da energia sexual que, a depender da abordagem, vão tornar a exp sexual muito melhor.

Mas o ideal não é tão perto do real, né? A trilha do Tantra te leva a ver o sexo como algo leve e natural; marcado por uma energia de calma e leveza, de conexão e de cuidado. Sem lugar a se chegar, sem busca de resultados, o próprio presente se torna o presente maior, a recompensa maior. Ou seja, em cada momento a recompensa maior, e somente isso pode representar seu bem estar.

Olhando para o sexo de forma natural

Assim, um tântrico olha para quem faz o sexo ordinário de forma natural, entende que essas pessoas estão no natural delas. Ou seja, a atitude interna para com quem faz o sexo comum, com busca do “resultado” final: ver de forma natural esses atos. O ideal é não reprimir qualquer atitude de outra pessoa com relação ao ato sexual consensual, porque isso gera muitas questões para quem reprime e para quem passa pela repressão.

De forma geral o Tantra também acolhe o sexo que é feito para procriar e para ter prazer: ou seja, o ato sexual é tal qual a vida, um processo. E o Tantra entende que o sexo catalisa processos internos, independente de onde no ciclo da consciência a pessoa esteja. E assim, a busca do Tantra é uma busca por consciência. Então da mesma forma que comer (nutrir-se) de forma rápida fica sem sincronia com o natural, fazer sexo de forma rápida também pode ser visto dessa forma.

E isso é algo pessoal: existem pessoas que comem apressadas. Assim, caso hajam conseqüências, quem vai arcar com elas é a própria pessoa. Da mesma forma com o sexo, as conseqüências do sexo sem consciência de forma geral mais problemas para a própria pessoa do que para quem está à sua volta.