Quando as crenças determinam o que se sente e o que se pensa

O passar dos anos vai trazendo a percepção de que existem condutas universais de afetividade, que não mudam. Tanto para quem busca expansão de consciência como para quem busca terapia, disfunções sexuais (Ex. diminuição de libido e problemas de desempenho sexual) podem estar relacionadas com crenças das mais diversas. Somente a terapia individual ajuda?

De fato, tenho notado que participar de grupos muitas vezes ajuda de forma mais efetiva muitas vezes do que a sessão individual. Nesse momento de incertezas, os grupos estão ocorrendo de forma bastante restrita, de qualquer forma, se permitir estar com pessoas que estão na mesma busca que você, é bastante enriquecedor.

Um grupo pode ter vários tamanhos e é interessante que se observe as “boas práticas”, com orientações, narrativas, dinâmicas meditativas, danças. Significa que um bom grupo não pode ser realizado com esses elementos? Não! A ideia do Tantra é trazer um sentimento de leela (que em sânscrito, significa brincadeira, jogo, diversão). Sem se perder de vista que o trabalho tem muita seriedade e atenção para com o ser e estar em si.

alívio da mente
Estar em um descampado, sem nada ao redor e acima, traz alívio à mente

Os estudos de neurolinguística comprovam que os seres humanos, a maior parte das espécies desse planeta, são seres sociais. E isso não significa negar qualificação técnica, pelo contrário: um ambiente efetivamente lúdico muitas vezes precisa estar amparado com os melhores artefatos técnicos. Tal qual um dos significados primordiais da palavra “Tantra”, que do sânscrito pode significar, “disciplina”, “técnica”, “método”.

Trabalhando com as crenças de Certo e o Errado sob o viés do Tantra

Normalmente, quando se trata de NeoTantra, as pessoas tendem a dizer que o Tantra não tem definição, porque ele é como se fosse a Matrix ou como se o Tantra simplesmente fosse. Um dos significados da palavra “Tantra” é “rede”, e nos termos mais abstratos, poderia levar alguém a perder uma objetividade com relação à concretudo de Tantra. Existem 7 escolas principais de Tantra. Dentro dessa gama de tradições, é possível encontrar referências muitas vezes contraditórias entre si. Tal qual o Yoga Sutra de Patañjali é importante para o Yoga (cuja raiz está no Tantra), o Vijñana Bhairava é um livro de sutras, com 112 técnicas ou métodos.

Muitas vezes, estar conectado com um grupo de Tantra Tradicional ou de NeoTantra, é fácil de identificar: quem está no NeoTantra normalmente diz que o “Tantra não nega nada”. Dentro da espiral de consciência, possivelmente as pessoas vão percebendo que “não negar nada” gera muitos problemas para a própria vida, até porque a trilha de expansão de consciência ou de terapia depende de uma variável fundamental: o tempo.

certo e errado tantra
A solução para aprendizagem está no errar e aprender o auto-perdão é importante no processo de crescimento

Não é à toa que as 112 técnicas do Vijñana Bhairava se encontram em tradições da mais variadas: do cristianismo católico aos sufis, do yoga à acumpuntura. Isso porque as 112 técnicas são eficazes para trazer a consciência o praticante ao momento presente. E depois do praticante estar no aqui e agora aí sim, o Tantra é, simplesmente porque o praticante já pode abandoná-lo, com o maior senso de presença possível. Porque são nesses estados de presença e autoconsciência que você vivenciará formas cada vez mais sutis de perceber e lidar com a realidade.

Teorias da Conspiração, a Ciência e o Tantra

Estamos vivendo no chamado mundo pós-moderno, e muitos estão vivenciando a liquidez tal qual Bauman. Nesse mundo, algumas pessoas vão tentar te vender pseudo-ciências. Uma dos 112 Sutras diz: “Cada qual é percebido através do conhecimento. O brilho no espaço, através do conhecimento. Observe e esteja em observação.” Nas tradições do Tantra que se utiliza luz que transforma a realidade”.

Então, um ponto fundamental, para quem segue a tradição Vijñana Bhairava: não se nega de nenhuma forma a ciência, o conhecimento. O Tantra propõe técnicas, e o conhecimento não nega o sentir, pelo contrário: o conhecimento transforma e ressignifica seus sentires ao longo do tempo.

A ciência em si constitui um grande diálogo, com um como fazer compartilhado. Então, se alguém publica um artigo científico, esse artigo pode ser experimentado por outras pessoas com um método científico. Os resultados da ciência dependem da “forma” como se faz. Em termos de vir ao momento presente, o Tantra é o como, a técnica e tecnologia. Essas 112 técnicas são propostas com base em perguntas. Uma delas: “Qual é a sua realidade”?

crenças nos levam a caminhos
Crenças nos levam a determinados caminhos

Hoje em dia, não é possível saber se as crenças conspiratórias estão alimentando ou sendo alimentadas por movimentos fundamentalistas religiosos. Talvez daqui 20 anos seja possível, com um distanciamento histórico chegar a alguma conclusão sobre esses momentos que vivemos; talvez seja preciso mais tempo. Isso porque, em ciência, causação não é o mesmo que correlação.

Nesse sentido, quando em um grupo, experiência e ou vivência tântrica o praticante se depara com suas próprias crenças e códigos, através de si mesmo ou do outro (espelho de si mesmo), um processo de catálise da mudança interna acontece. Na dimensão da sociologia e antropologia, os povos se distinguem através dos costumes e traços comportamentais.

“O Tempo e o Vento”

Assim, é o conjunto de hábitos ou crenças que definem uma comunidade ou uma nação. Quando há processos de mudanças sociais, há uma quantidade relevante de pessoas que vão resistir às mudanças.

É importante para quem começa a vivenciar o Tantra (seja individualmente, dupla ou em grupo) definir os critérios para selecionar a informação que se encontra na Internet. Compreender que a teoria e a prática estão relacionadas, mas que não adianta ficar lendo livros sobre natação, já que nada descreve tão bem experiência de cair na água e nadar, ou a experiência de andar de bicicleta. As experiências constituem conhecimento da realidade também. As 112 técnicas tem uma sistemática que você pode utilizar como quem utiliza um menu de um restaurante para aquele momento. O interessante da experiência vivencial é que ela te coloca em confronto com os próprios códigos, as próprias crenças.

Nesse sentido, o fundamental da aprendizagem é definido pelo próprio praticante, ainda que essa esse processo seja delimitado pelos limites daquela vivência específica. Uma vez que o observador parte da sua realidade e de seu ponto de vista, tendo em conta um contexto de vida do qual ele partiu, a experiência transforma e é transformada pelo conhecimento que se tem daquilo. No entanto, isso não significa que as práticas do Tantra são praticadas em consenso dentro das 7 tradições.

Fundamentalmente, trata de você ficar em paz com as suas decisões e deixar os outros em paz com as deles. A própria realidade vem de acordo com condições e valores pessoais, e tal conjunto de crenças podem ser compartilhadas, podem não ser. Então, quem passa por uma vivência de Tantra está percebe-se em um mesmo ambiente se importando pouco (ou menos) com a religião do outro. Cada grupo terá seus conteúdos específicos trabalhados. “Como estão os meus ventos internos, aqui e agora?”.

A morte é o último e primeiro mistério da existência e você sabe… poucos falam sobre esse assunto. Essa série é baseada em uma coletânea de pesquisas feitas através dos últimos cinco milênios. Realmente, a vida que você conhece é usada para colocar um cortina de fumaça densa para esconder de você uma única verdade, o erro da Matrix, o agora em agonia. Antes de continuar, me permita dizer que a oportunidade que você tem nesse momento é dada a poucos.

No fundo, você sabe, sistema e anti-sistema se esforçam para esconder de você a verdade mortal. Assim, toda essa cultura moral é construída para desconsiderar essa estridente, porém simples “verdade“. Você é mortal e pouco a pouco se despede da existência, desconsolada.

Da mesma forma que os tigres desenvolveram técnicas para que sua caça não o perceba, e dessa forma, o processo todo passa despercebido, quase inconsciente. Isso porque você criou para si a armadilha da inconsciência a respeito disso, e uma hora a conta chega, ah… sempre chega. Não há necessidade alguma de fazer qualquer alarde a respeito desse fato. E talvez seja o não alarde a maior armadilha de consciência que a própria humanidade desenvolveu para si mesma.

Portanto não há necessidade de entrar em pânico, ainda não chegou o tempo da sua morte, esse tempo fica para mais tarde. Se me permitir dizer para simplesmente respirar um pouquinho, não adianta parar de respirar enquanto lê esse texto. Na realidade, o tempo que você fica assim, com a respiração travada, você está adiantando a morte da sua vida. Apenas se conscientize de sua respiração nesse instante, se conseguir. Se não, talvez seja melhor parar de ler esse texto por alguns instantes. De forma a parar de sentir essa de angústia dolorosa no peito.

Sentenças da agonia do agora paradoxal

Talvez não esteja muito claro pra você se conversar sobre ela vai “ajudar” de alguma forma. Não posso te dar nenhum conforto nesse momento. Você sente atração pelo abismo, pela escuridão. Duvida? O que você acha que é aquela sensação de vertigem quando olha de um alto andar de um prédio?

Nietzsche

Quem combate monstruosidades deve cuidar para que não se torne um monstro. E, se você olhar longamente para um abismo, o abismo também olha para dentro de você

Enquanto verdade franca, acredito que esse seja o menor dos impactos que você vai ler nessa série. E também não adianta ficar elaborando explicações racionais e científicas, nesse caso, elas acabam se tornando uma fuga. Atualmente, não existem verdades científicas sobre isso, e talvez nunca existam. Mas tende dizer qualquer verdade religiosa para alguém que está em luto. Nada do que disser vai servir. Ela é o que é. Porém, ela costuma tomar conta da existência de alguns seres humanos, muitos inclusive, de forma paradoxal.

Antes mesmo da pessoa nascer a sentença é dada, e não adianta entrar em desespero. Assim, ninguém vai te salvar de si, da sua própria existência limitada. Família e vizinhos ausentes talvez te ajudem a passar pelo processo, porque chega um momento que sua consciência estala, e a vibração dela vem com uma profunda aceitação. Você compreende que lutar torna tudo muito pior, talvez mais rápido.

Não acredita? Sem problemas, o veneno só é veneno em determinada dosagem. Tentar adivinhar o plano que a vida tem para você é irrisório. Mesmo porque, a vida é a maior das predadoras, e como eu te disse na primeira parte da série, vida e morte são codependentes. Assim, a única salvação do agora é ter consciência de que todo o seu ser está agonia.

“Deus está morto”, anunciou Nietzsche, e olhando tudo à minha volta, percebi que eu também estava. Assim, a celebração é um dos maiores elementos do Tantra, e um dos maiores tabus da humanidade, a morte, é cheio de tempestades. Isso porque, ela é a única certeza da vida. Então, vamos combinar uma coisa? Se eu estiver entrando em presunções, você me avisa?

Já imagino você argumentando que Tantra é vida, tantra é amor, tantra é tudo o oposto de morte. Seguidamente eu respondendo, tranquilamente, talvez até com um ar de cinismo racional: se não houvesse a morte você sequer estaria com vida nesse instante. Ou seja, a vida depende intrinsecamente da morte, assim, como a vida depende intrinsecamente do sexo, outro fenomenal tabu da humanidade. Sabidamente não é muito confortável “tocar” nesses dois assuntos.

Em outros tempos e outras culturas talvez isso fosse diferente. Na cultura latina, a morte é retratada normalmente com pessoas chorando e se jogando no velório, “querendo morrer junto”. Nesse contexto, dizemos que [nós] os latinos, fazem tempestades com a morte. Em outro ponto de vista, na cultura anglo-saxã, a morte é retratada com limusines e roupas elegantes. Estamos na era da informação, qualquer coisa que eu escreva aqui você pode pesquisar e verificar. Pesquise por exemplo quantas células estão morrendo no seu corpo nesse instante. Pesquise também sobre a vida eterna assexuada e a finitude da vida sexuada.

Entrando e saindo do conforto

Talvez seja mais confortável lidar com a morte se você estiver se centrando na sua respiração. Note seu corpo nesse momento, impressão minha ou você entrou em um processo de tensão? Então faça algumas respirações profundas e sinta-se relaxar. De forma que os próximos cards talvez sejam um pouco mais densos, mas tenho certeza de que se você mantiver a respiração consciente durante o processo da sua vida, também terá uma morte profundamente consciente.

Essa jornada vai ser longa, tenha certeza. Vai durar uma vida toda, sem ironias. Nos próximos “capítulos” vou te dar detalhes insuportáveis porque tudo o que você pensa que sabe ou que já considerou sobre o tema está para receber alguns bons chacoalhões. Estas tempestades com a morte farão você ver como tudo funciona sob um prisma diferente daquele que está pré-determinado em sua mente.

Se estiver com muita coisa na mente ou em agitação física, provavelmente as nuances e as entrelinhas vão passar batidas. A sociedade tântrica secreta é diferente daquilo que você pensa que é. E é válido dizer isso aqui, pois dessa forma, digo reiteradamente, evitamos julgamentos alheios a si mesmo. É impressionante como o Tantra se tornou forte sem vermos tantas pessoas se auto declarando Tântricas.

A mente leva a gente pra longe, né? Os Tântricos trabalham dentro de um sistema laboratorial e os efeitos, mesmo sendo cumulativo, às vezes dura somente alguns dias ou horas. Eu sei que é difícil esperar que você que nunca nadou saiba exatamente o que são esses efeitos que eu estou falando… Afinal, finais de semana sem qualquer compromisso e mesmo assim, um impacto que pode permanecer por todas as muitas vidas que viver nessa vida. Recomendo sempre que ao ler esse tipo de texto você esteja em estado de relaxamento.

O Tantra na superfície

Você vê tantas pessoas falando termos como “não julgamento”, “não luta”, “além do bem e do mal”, “amor e amorosidade”, sem perceber que a combinação e a sincronicidade tântrica estão por trás de diversos fenômenos do desenvolvimento humano e da expansão de consciência. Por exemplo, se tomarmos elementos do desenvolvimento monástico do cristianismo, encontraremos o Tantra em sua base de desenvolvimento, mesmo que não chamem de Tantra. [Aqui, volto a ressaltar que quando digo “Tantra”, me refiro às 112 meditações que levam a consciência além]. Quando alguém começa a se aprofundar em Tantra, os caminhos anteriores se tornam mais claros, e indissociáveis do Tantra.

Além disso, onde em algumas ordens iniciáticas o aprofundamento no ser e estar (presentes) permanecem na superfície, até por desconhecimento pessoal de quem ministra as liturgias, o Tantra consegue te levar às águas mais profundas. A profundidade vai ser bem vinda. Eu aposto que você pode estar se perguntando: mas por que alguém gostaria de entrar nas aguas profundas da existência? Nesse caso, só posso indicar que aquela sensação de frio no estômago, arrepio na nuca, sopro sem sopro te levam a esse caminho de forma invariavelmente natural.

A Sociedade Tântrica dos segredos

Mas voltando à questão da Sociedade Tântrica, é preciso ter em mente que as diversas perseguições religiosas na idade das trevas tacaram fogo no Tantra. Nesse processo, pouco a pouco, as técnicas foram assimiladas e aplicadas em diversas liturgias, mas a essência não-dual, desrepressora, matriarcal e sensorial havia sido eliminada na base do ferro e fogo. Não é a toa que você olha para o mundo e percebe essa desconexão e uma sensação de que a qualquer momento toda essa estrutura pode ruir. A estrutura foi construída com base na luta. O Tantra não entra e nunca entrou na luta. Impossível entrar, porque uma vez que alguém menciona qualquer luta, já automaticamente deixa de ser Tantra.

De qualquer forma, ao longo do tempo, os Tântricos testemunharam suas culturas originais sendo depredadas pouco a pouco. Naturalmente, era necessário tomar alguma atitude com relação a isso. O que aconteceu? Organizaram-se. Quando os primeiros escritos identificados como “Tantras” surgiram, já era meio da idade média. Naquele contexto, a India estava no processo de evangelização similar ao que na Europa ocorria com o cristianismo e na península arábica, oriente médio e norte da Africa, ocorria com o Islamismo; dualizaram as técnicas e transformaram sua sociedade no oposto da que a tântrica representa.

No entanto, é notável que, na medida em que existe qualquer tentativa de organização, conflitos e atritos tendem a surgir. Superadas algumas desavenças naturais, dentro de uma sociedade tântrica nascente, um ponto de acordo: o Tantra, naquele momento, precisaria ser gupta vidya (conhecimento secreto). Se apoiaria, para ser transmitido com segurança e sem perseguição dos fanáticos evangelizadores dualistas, nas tradições de discipulado que se estabeleceram na India. Combinando as habilidades de diferentes tipos de tradições tântricas, sendo ensinadas das mais diversas formas, porém sem focar sua atenção no “homem comum”, dominado pela dualidade e preso na falsa luta do “bem contra o mal”.

Luta e não-luta

Os tântricos encontravam-se naquele momento sem muito poder de ação para desenhar limites de atuação na esfera comum, por isso tantos códigos de proteção e discrição foram estabelecidos. Com o passar dos anos, a Religião dual entrou em conflito com a Ciência. O problema do conflito é que ele leva a uma falsa sensação de “vitória” – não existe vitória, porque não existe luta.

A luta é falsa e é criada para confundir as mentes mais fracas. Nesse processo, as mestras e mestres de Tantra passavam por diversos altos e baixos. O contato com as energias sutis foram e processos de auto-desenvolvimento foram relegados com teor de misticismo. O contato com a expansão de consciência do ser e estar foi também, com a ascensão da ciência em conflito com a religião, relegada a uma esfera existencial mística e espiritualista. E por mais que haja algumas espécies de abordagem de abordagem espiritualista, o Tantra não é místico. Existe uma lógica do aplicar das técnicas do Tantra, tal qual existe uma lógica corporal do aprender a dançar, nadar ou simplesmente andar de bicicleta.

O Tantra atua na interconexão dos neurônios, te trazendo habilidades de percepções mais sutis. E da mesma forma que fulano tem facilidades em desenvolver habilidades musicais, ciclano mais facilidade em aprender linguas e beltrano no pensamento lógico matemático, o Tantra vai fazer aflorar em cada individualidade suas próprias características de uma forma mais vigorosa e consciente, beirando o paranormal. A verdade é que nenhum ser humano está próximo da normalidade, essa é outra falsa ideia da qual o Tantra vai te ajudar a se dissociar. As tradições tântricas mantém viva a raiz da conexão akashica, e isso não tem como morrer, pois significaria a morte da própria espécie humana em si. Então, alguém vê motivos para permanecer em luta?

cenário atual do tantra

Possivelmente o Tantra (que está nas 112 técnicas de Shiva) tem origem nas primeiras experiências humanas de expansão de consciência. Ao longo da história, tivemos momentos com predominância da religião, e a partir de determinado momento, a ciência foi conquistando espaços de respeito. Hoje em dia, por conta de politização do diálogo científico, a ciência passou a ser atacada. O cenário atual do Tantra envolve diversos aspectos e não surgiu do nada.

O crescimento pessoal proporciona, independente da cultura em que se esteja inserida, situações de autossuperação ao se transcender determinadas dores. Muitos pensadores categorizam as tais “dores do crescimento” como fundamentais para que ocorra o processo de expansão do ser e estar. Atualmente, nos encontramos em ambientes que fornecem anestésicos por demais. Então, a oferta grande de anestésicos tornou muitos indivíduos em pessoas pouco tolerantes a qualquer tipo de dor. Temos balizadores de dores para diversos aspectos.

por que a abordar esse tema quando trata do cenário atual do Tantra?

O Tantra, do princípio, reconhece e acolhe este tipo de ocorrência na vida individual, sem necessariamente fornecer anestésicos, que, sem dúvida, se fazem necessários, mas que não são benéficos para o amadurecer e o lidar de forma centrada com aspectos da vida. Por termos colocado a balança na direção do lado da ciência, a mente passou a ocupar um papel de importância exacerbada na existência. E os aspectos de crescimento emocional e mesmo físico: temos adultos de mais de 40 anos com corpos e emoções não maduras.

Nesse momento eu faço um convite: como você, enquanto pessoa, entende Tantra, e como você pode contribuir para o entendimento de pessoas que não conhecem todo o potencial transformador que o Tantra oferece? Ao levar em consideração que cada pessoa conectada e integrada em seu ser e estar faz parte dessa construção gregária do papel do Tantra, e de que eu me coloco como observado com visões limitadas e pontos de vistas pessoais sobre o relato de cenário atual.

Na medida em que vamos se desenvolvendo dentro do Tantra, a consciência de que cada indivíduo atua em consonância com suas verdades. Quando a desenvolve-se as características do Swadhisthana Chakra [chakra sacro ou sexual]. Existem questões da sua vida que começam a ser trabalhadas: autorresponsabilidade, desejo e desejo de ser desejado, autoria e autoridade, determinados graus de apego.

Por isso a pergunta: será que existe um único humano que seja “dono” da verdade do Tantra? Nesses tempos temos 7 bilhões de verdades sendo expostas de forma ainda mais intensa por estarmos em proximidade virtual acelerada. Uma pessoa que mora na India se tornou minha vizinha próxima com a condição que eu “ligue” a minha atenção e ela se coloque disponível para essa atenção.

Tantra e o impulso hype

Nossos sistemas de aprendizagem foram construídos para que as crianças saiam de lá respondendo o certo e o errado, e isso constitui o início do problema. Dualistas dominaram o ensino e as redes de comunicação e embora a dualidade não controle o mundo. Com certeza ela gera impactos concretos no comportamento humano e nos padrões de pensamento.

E aí você me pergunta por que tanta gente se denominando “Tantrica” além de Tantra ter ganho um impulso hype nos últimos anos, mesmo sem ter tido qualquer experiência verdadeiramente transformadora e impulsionadora do ser. Isso tem a ver com raízes duais muito profundas e com a perseguição patriarcal e religiosa: o Tantra está escondido e é secreto.

Essa natureza automática de que a consciência tântrica se desenvolve para cada indivíduo no limite do que a pessoa está preparada para lidar. Isso porque os religiosos decidiram que o Tantra é muito perigoso. Depois os racionalistas e cientistas não conseguem usar muito seus métodos porque o Tantra per se constitui um método. A diferença que, sem Tantra, a vida tende a se tornar mecânica e cinza, com Tantra, o individuo se integra a si mesmo e vive sua essência. Mas per se é um “como”, ou seja, um jeito de viver.

De qualquer forma, há muitos anos a religião decidiu que o Tantra era muito perigoso. As razões são muitas, mas a principal: o Tantra é como executar o próprio religare a que as religiões se colocaram como mediadoras — e historicamente ao terem se postas como tal, começaram a criar dificuldades (culpa e pecado) para vender facilidades (pedacinhos do céu). Se os indivíduos soubessem que poderiam expandir sua consciência (ter um lugar no ceu) sem despender qualquer centavo. Eles não precisariam de sacerdotes intermediando e mediando a conexão com o sagrado natural.

Motes do Tantra

Então lembre-se que o Tantra das 112 técnicas é “um meio, um como”. Dessas 112 técnicas, surge todo tipo de religião, filosofia de vida, teosofia, yoga, arte, terapias e terapêuticas, etc. Sem sombra de dúvida, a expansão de consciência passa pelo Tantra. E lembre-se de que você vai encontrar no cenário atual escolas e tradições tântricas que muitas vezes são contraditórias entre si. O que une todas as escolas, volto a dizer é adwaita, não-dualidade.\

Agora, se analisarmos as manifestações dentro do cenário atual do Tantra no ocidente, encontraremos indivíduos e grupos de indivíduos que se identificam como tântricos, realizando séries de eventos, vivências e workshops. Esses eventos normalmente não são vinculantes. Não pressupõem que pessoas estejam matriculadas e os indivíduos passam por experiências práticas ou séries de práticas com enfoques específicos.

Além disso, não é de hoje que verificamos técnicas do Tantra em cenários de liturgia religiosa. Instituições de Tantra que trabalham como tradições iniciáticas também possuem suas vantagens: elas estimulam a pessoa a praticar as técnicas de forma diligente e disciplinada. Apesar de a proposta Tântrica estar com o enfoque no aqui e agora. Ou seja, o impacto do Tantra tem característica cumulativa, ou seja, não é facilmente perdido no tempo. Por exemplo, se alguém para de praticar o Tantra por anos, e decide voltar, o período de readaptação de consciência interna e de adaptação corporal são facilmente readquiridos. A pessoa não “perde” o caminho das pedras.

Pontos de vista do cenário Tântrico

Além disso, é notável a observação das contradições dentro do ambiente tântrico. A questão da disciplina, por exemplo, se você for analisar o discurso da linhagem Dakshinacharatántrika (que em alguns círculos é conhecido como caminho do guerreiro) é comum termos uma ênfase na disciplina. Agora, se olharmos o viés de alguém que segue a linhagem Vamacharatántrika (conhecida por alguns como o caminho do rei) notará um certo desdém pela disciplina e constância e sim uma ênfase no carpe diem. Quando analisamos pessoas vindas do Caminho do Meio, normalmente pessoas ligadas ao Tantrismo reinante no Budismo, a percepção de Tantra encontra um mix dos elementos com ênfase no não-julgamento.

Fora essa ênfase, ainda existe a variante espiritualista e naturalista e que impacta o discurso que será criado por esses praticantes de Tantra. E depois de ter chamado a sua atenção para a diversidade de linhas de pensamento e desenvolvimento de comportamento tântrico. Assim, gostaria de chamar atenção que existem padrões de individualidades. Dentro de uma existência, a pessoa pode passar por diversos estágios dentro do Tantra. Por exemplo, o Osho chama bastante atenção para o fato de que muitas pessoas entram no Tantra (em termos de India) por conta da prática do yoga.

Isso significa que ele mesmo chama atenção para o fato de que o indivíduo chegará em um momento em que terá de abandonar o Tantra. Então, a dica é: viva a sua fase de vida de acordo com a sua verdade interna e tenha sempre o enfoque de que você é responsável pela sua vida. Ninguém mais. Isso determinará a forma como você enxerga o Tantra e a relação com outras pessoas; permitindo que saia de um estado de luta, para adentrar em um estado de autoaceitação.