Como o Tantra expande a nossa consciência

Pergunte a qualquer pessoa onde fica a sua consciência e é bem provável que você se depare com respostas idênticas ou bem parecidas; todo mundo aponta pra cabeça, pro cérebro, indicando-o como órgão que produz e cria a nossa consciência. Estamos tão identificados com o que pensamos que a mera ideia de separar consciência de pensamentos nos parece estranha demais.

Muito embora a gente já saiba hoje que o cérebro é o responsável pelos nossos pensamentos, não existe hoje evidência científica de que a nossa consciência nasça desse processo cerebral. A consciência é algo mais amplo, mais abrangente. Ela vem antes dos pensamentos, pode observá-los chegando e partindo. Ela permeia todo o nosso corpo, tanto a atmosfera interna quanto a externa.

É muito mais aceitável a ideia de que a consciência seja um fenômeno que permeia todo o nosso sistema nervoso vegetativo, um processo extremamente orgânico, conectado com o corpo como um todo. Partindo dessa premissa, como o Tantra pode ajudar nossa consciência a tomar novas formas, novos rumos?

Sensibilidade, cura e energia

O Tantra vai ajudar o corpo a atingir novos patamares de energia. Vai ensinar o sistema orgânico a produzir, sustentar e mobilizar mais energia do que normalmente fazemos. E aumentar essa produção de energia desencadeia vários processos. Um deles é a sensibilidade.

Mas antes de seguirmos aqui vale a pena fazer um grande parênteses para explicar melhor esse termo “energia”. Quando o Tantra fala de energia, ele fala de bioeletricidade, a energia que todos nós humanos produzimos para diversos procedimentos essenciais ao nosso bem-estar, como a manutenção da nossa temperatura corporal, metabolismo, sinapses, impulsos neuromotores e assim por diante. Essa energia que o nosso corpo produz naturalmente para se manter também é utilizada como matéria prima nos nossos processos de cura – por isso que quando a gente martela o dedão ele fica quente; para renegerá-lo o corpo precisa alocar mais energia do que o faz normalmente para manter o dedão funcionando.

Além dos processos de cura, a energia que produzimos também sustenta a nossa sensibilidade corporal. Toda a comunicação no nosso sistema nervoso é bioelétrica. Por isso que, quando tomamos uma anestesia local, o membro anestesiado fica gelado; para frear a sensibilidade precisamos cortar o circuito, os impulsos bioelétricos que passam pela região.

Quando trabalhamos a energia do corpo, estamos induzindo nosso sistema a se sensibilizar e se preparar para processos de cura. Isso faz com que a comunicação do nosso corpo com a nossa consciência ganhe novas qualidades. E é aí que a brincadeira começa.

A postura meditativa

Quando aliamos um corpo sensível e energizado a uma postura meditativa, conseguimos entrar em contato com a nossa anatomia emocional. Abrimos espaço para nos perceber de uma nova forma. E aqui também cabe um outro parênteses para explicar a meditação. Não se trata aqui de um processo de “não pensar em nada”, mas sim de estar ancorado no presente, no aqui-agora. Mais do que não pensar, meditar é estar atento a todo o processo dos pensamentos: como começam, para onde querem nos levar, quais efeitos produzem no corpo e no comportamento, etc. É natural que esse desenvolvimento acalme a mente super agitada e os pensamentos que não param nunca por um segundo ganhem um ritmo mais lento, mas não existe o objetivo de parar de pensar e sequer mensuramos a eficácia de uma meditação pela quantidade de pensamentos que provocou.

A consciência começa a tomar novas formas, receber novas informações, desfazer antigas sinapses e produzir pensamentos diferentes conforme observamos o seu movimento orgânico dentro de um corpo sensível e presente. Conforme a gente vai repetindo as experiências, as nossas couraças neuro-musculares vão se soltando, liberando emoções presas no sistema nervoso vegetativo e a gente começa a notar o quão reativo é o nosso comportamento. São nossos traumas, nossos estresses crônicos que vão deixando marcas no nosso comportamento.

Ao seguirmos meditando nesse caminho vamos encontrando espaço para deixar essas marcas saírem do corpo e vamos percebendo que os gatilhos de sempre não nos ativam tanto. Assim que as nossas reações automáticas começam a se acalmar, conseguimos inserir mais livre arbítrio nas nossas decisões. Esse processo pode seguir se expandindo e gerar uma grande desconstrução no nosso modo de pensar, agir, se relacionar e se comunicar. E é aí que percebemos a expansão da consciência: criando os nossos valores, nossos pensamentos, nossa manifestação no mundo de dentro pra fora, livre das marcas sociais, familiares, religiosas e moralistas que a sociedade nos imprime quando ainda somos muito novinhos, sem saber o que queremos ser quando crescermos.

Quem escreve?

Artigo escrito e enviado por Sangito Deva, terapeuta holístico que trabalha diariamente com técnicas de meditação em seus processos de cura. Atua e coordena em Natal/RN um espaço de terapia tântrica chamado Casa Samadhi.