Sexo é um tabu na sociedade, não deveria ser no Tantra

O primeiro efeito do primeiro curso de vivência de massagem tântrica, foi sobre o quanto o sexo representa um tabu na nossa sociedade. Dessa forma, sempre parece que fica uma nuvem densa quando alguém fala sobre sexo. Mesmo quando alguém fala pelo whatsapp sobre suas próprias questões de sexo. Parece que quando envolve Tantra, a pessoa não entendeu muito bem o sentido de ser da sessão de terapia.

Todos os sentidos ficam aflorados quando estimulamos a energia sexual. Agora, quando se trata de olhar como tabu, a energia do sexo acaba em estanque. Mas a real que me parece é que surge de fato um verdadeiro terror quando a questão é o sexo e a energia sexual. Só que quando se trata de Tantra, não tem como fugir das aulas de sexo. As pessoas sabem muito pouco sobre sua natureza sexual. E a energia sexual é uma dádiva! Quem desenvolve sua própria energia sexual, de forma plena, sem culpa, passa a entrar num fluxo existencial tão mais simples.

O que é puro ou impuro só faz aumentar o Tabu do sexo

Por isso, na vivência de massagem tântrica, o enfoque está no sentir. Ou seja, sem lugar a se chegar! Isso dá à pessoa a liberdade de gozar a vida, sem peso com relação a se chegar em qualquer “resultado” durante qualquer ato sexual. Outro dia, recebi o feedback de que foi muito importante estar em um curso que não leva o sexo para o teor místico, é uma das formas no sentido de diminuir o tabu. É muito comum dentro do Tantra dar de frente com um teor espiritual professado pelas pessoas. Não teria nenhuma questão com isso, se as pessoas não separassem o físico do espírito. Ora, se o corpo fosse impuro, o espírito — símbolo de tudo o que é “puro” — não teria razão alguma para se ligar ao corpo.

Assim, aprender o Tantra (técnica, método) é algo que envolve aprender algo sobre si mesmo. Mas treinar o desapego na hora da prática envolve confiar nos processos internos, na sabedoria de cada célula do próprio corpo. Quando tratamos de ficar, no sentido de permanecer, no sexo, mesmo que não seja em um curso ou vivência, ele começa a deixar de ser um tabu. A própria energia se expande de forma natural, sem anseios.

Dicas de Qualidade de vida dentro das bases do Tantra

Aqui vão algumas dicas de qualidade de vida para movimentar o seu dia a dia

A primeira dica é sobre você saber discernir entre o que você precisa fazer para assim chega a um estado de qualidade de vida. Ou seja, coisas que por si só são fruto de um estado de vida com qualidade. Por exemplo, quando alguém quer se casar porque este ato trará uma conexão com outra pessoa. O ato de se casar reflete um ato que faz com que se chegue a um estado de qualidade de vida.

Segundo, tente notar quais são suas paixões pessoais mais genuínas em sua vida. As coisas que você mais ama fazer e o que você se sente impulso e ânimo só no fato de pensar sobre elas. Para ajudar no processo: imagine que você tem muito dinheiro e possui uma vida muito feliz de fato. Então, tendo isso em mente, observe: o que você se vê fazendo? Quaisquer que sejam suas respostas, elas são a sua verdadeira paixão, pelo prazer de realizá-las.

A terceira dica de qualidade de vida é sobre o entrar na rotina. Todos os dias ao acordar é lembrar e discernir aquilo que é fruto da qualidade de vida do que é um meio de se atingir um estado de vida com qualidade. Isso é legal de fazer, porque nosso instinto nos faz prestar atenção demais nas atividades que nos levam a uma vida com qualidade, o que paradoxalmente gera uma vida sem qualidade.

Quando você presta atenção, você aumenta a consciência sobre aquilo que se faz de forma natural, e quanto de energia interna você gera e gasta com ações que não te geram tanto retorno e termina por si só quebrando o ciclo vicioso. Uma forma de sair desse processo é ir para o sensorial, fazer um curso de massagem tântrica.

Entenda as bases do Tantra

A ideia por trás do Tantra está no desenvolver o dom de ficar em estado de presença. Como efeito, ocorre o próprio dispor do melhor que a vida tem a oferecer. Porém isso perde sentido se você não sabe de bate-pronto o que a vida tem a oferecer! Atividades fruto da qualidade de vida, de outra forma, por si só já dão dicas sobre coisas que você gosta de fazer pelo simples fato de fazer. Estas são as razões pelas quais é melhor fazer as coisas que você precisa fazer antes. Por exemplo, a sensação de conexão por si própria que motiva alguém a se casar.

O conceito de abundância e prosperidade são tidos normalmente no setor financeiro da vida. Veja no vídeo Vida Boa Vida Ruim aspectos da interpretação do Tantra sobre o dia a dia com abundância. De qualquer forma, é importante você expandir essa ideia para além do financeiro! Porque como o Tantra mexe com seu estado de presença no aqui e agora, uma série de mudanças internas ocorrem

Uma outra dica atividades que são frutos da qualidade de vida normalmente se apresentam em três variações. A primeira é estar no aqui e agora, em atividades do dia a dia. Assim, a segunda é ser capaz de notar o próprio crescimento, como por exemplo sentir que aprendeu algo com tal aspecto. Por isso, se gera um sentido para os fatos da vida e uma sensação de que valeu a pena. A terceira é ser capaz de notar que o que você faz mexe com o mundo de uma forma ou de outra. Seja pela diferença do que aquela atividade gerou, ou mesmo pelo impacto que isso fez em si ou nas pessoas ao redor.

Sedentarismo e autocomiseração, o olhar do Tantra

A questão do sedentarismo e da autocomiseração está no dia a dia das pessoas. Colocar a si mesmas para “baixo” é muito comum. De forma geral, os estados de ânimo tem a ver com o estado dos humores do corpo, ou seja, os hormônios. O corpo não serve para ficar sentado o tempo todo, e uma hora ou outra a conta chega, com doenças.

Muitos, mesmo doentes, não despertam para o algo mais básico: o sentir interno. E assim, como se sentir com tudo o que está passando? Em nome de uma suposta quantia financeira, muitos abarcam sofrimentos sem perceber. Por exemplo: o corpo sofre em #silêncio quando a pessoa passa 8 horas (e muitas vezes muito mais) por dia sentada diante de um computador.

Com a sensibilidade desenvolvida, o corpo passa a não aceitar mais determinados comportamentos. Na questão do nutrir ao seu corpo isso fica nítido! Se sentir o cheiro do embutido ultra processado e se permitir mastigar muitas vezes aquele “alimento” a pessoa, de forma natural e sem esforço, vai passar a rejeitar aquilo.

Mudança de hábitos para lidar com o sedentarismo e a autocomiseração

Assim, quando nos deparamos com o que as pessoas almejam percebemos o beco sem saída. Lidar com essas questões do sedentarismo e da autocomiseração tem a ver com hábitos. Dessa forma, colocar uma ou outra prática do Tantra ao longo do dia ajuda.

Tudo o que não faz sentido para o Tantra, cujo “sentido” é sentir, o que pode parecer um paradoxo, é a variável consciência. Assim, o tempo nos mostra que seguir a trilha também é viver melhor. A vida por si só é o presente. O Aqui e Agora é aquilo que existe. Questões do sobreviver são consequências menores de se estar no Tantra e viver a abundância, do ponto de vista latto.

Assim, a ideia é você olhar para sua vida de horizonte imediato, sem deixar de perceber o longo prazo. O aqui e agora apresenta muitas perspectivas de mudança. Se a questão é mudar de vida, vale a pena mudar um hábito. E o melhor hábito para iniciar é colocar uma meditação tântrica no dia a dia, ou uma técnica de Tantra Yoga. Tanto faz! O importante é começar aos poucos, para que grandes mudanças ocorram no médio e longo prazo.

Como na “teoria do caos”, o bater de asas de uma borboleta pode gerar um furacão. Pequenas ações geram grandes mudanças no decorrer do tempo! Mas se a variável fundamental é a consciência, então utilize a melhor técnica de expansão de consciência para você.

Acolher das emoções e como se livrar do “tenho que”

O acolher das emoções é algo diferente de submetê-las ao seu controle pessoal. Isso porque as convicções e paixões deixam de estar no centro das atenções e você passa a testemunhar aquilo que se sente. A vida opera por si mesma e a necessidade do presente se torna imediata, então de nada adianta querer direcionar para algo. Isso cria pré tensões.

É aí que mora a liberdade do Tantra! Ser livre para testemunhar tudo isso. Inclusive ser livre para testemunhar as próprias emoções, sem medo de sentir. Normalmente as pessoas falam “eu sinto muito” quando estão sentindo coisas tristes. Dizer eu sinto muito dentro do processo de desenvolvimento do Tantra é se abrir para sentir tudo: tristezas e alegrias, dores e prazeres. Isso em suma é viver, é a vida.

Existem pessoas tântricas que não sabem que são tântricas, da mesma forma que existem pessoas que acham que são tântricas mas não são. A quem passou e completou o processo de consciência meditativa. Ou seja, ser e estar no aqui e agora. Vai perceber que não vai mais haver a necessidade de “ter que” isso ou aquilo, ou pior, ter que ser isso ou aquilo.

A moral e os bons costumes e o acolher das emoções

Existem também aqueles que se dizem tântricos mas estão apegados à moral dual, mesmo que de forma sutil. Normalmente aparece em discursos dos “bons costumes”. Os processos que se fazem sentir, são parte de um todo; mas não adianta entrar em qualquer arte de “lutar”. Se a pessoa entra na luta, ela ainda está distante do processo de redenção próprio do Tantra. E no fim das contas, tudo bem também, cada qual terá seu próprio processo interior de percepção da consciência.

O ensinamento do Tantra, dos Sutras de Shiva, vai no sentido de não considerar nada como puro ou impuro. Mesmo que não esteja claro para o praticante em um primeiro momento, os começos duais podem parecer não têm custo algum. E à medida que você for desenvolvendo tal técnica de expansão, a não dualidade do Tantra vai ficando mais clara.

O Tantra diz que você pode! É difícil para a maior parte das pessoas acolher tanto a vida como a morte. Uma não é melhor que a outra! O ato de nascer muitas vezes dói mais que o morrer, mas a mente dá um atributo “bom” para o nascer. Parece sempre que o ato de nascer é “bom” e o de morrer é “ruim. E o que notamos é que não, o aqui e agora é o seu início e o seu fim

Mundo dá voltas e o que o Tantra tem a ver com isso?

Um dos Sutras de Shiva diz: ‘Esta é a esfera da mudança’, e continua ‘Mudança consome mudança’. Que o mundo dá voltas é consenso, exceto para quem acredita na teoria da casca da tartaruga ou é terra planista. Mas esse conceito da mudança é interessante, porque dentro da psique humana, o ato de sofrer vem do apego. E a circularidade da vida tira o peso dos extremos duais, bem e mal.

O caminho tântrico traz a ideia de (des) prendimento e de naturalidade. São técnicas que utilizadas para favorecer a própria vida, de som, respiração e movimento. Envolvem a sensibilidade interna. Se isso é bom ou se isso é mau, são outros 500s. Mas o foco do Tantra é o aqui e agora, abstraindo por completo o conceito de karma, que para a ótica do Tantra é um conceito de estrutura para a dominação.

Certa vez em Terapia Tântrica, comentando sobre esse fato do Karma, uma cliente disse: “eu não consigo imaginar um deus condenando minha gatinha a qualquer inferno”. O que as pessoas com certa regularidade acreditam é que o mesmo deus que pouca importância dá ao bem estar pessoal estaria ali para criar castigos.

Céu e inferno do mundo real que dá voltas

Tanto o céu como o inferno são criações de estrutura de dominação. O Tantra é técnica de libertação, então é óbvio que olhará para esses conceitos como se fosse uma grande piada. Culpa, pecado, não existem. Isso significa abstrair do discernimento pessoal? Não! “Tudo é lícito, mas nem tudo me convém”

Por exemplo, alguém desavisado poderia alegar que o Tantra está okay com o uso de drogas, porque usá-las desperta o Sensorial. Só que linhas tradicionais de Tantra não promovem ingestão de drogas psico enteógenas. E mesmo na estrutura de religiosidade latino americana, era o pajé quem consumia tais substâncias, somente.

Não por pessoas que não estavam preparadas para isso, tal qual observamos ocorrer nos dias de hoje. Porém, ainda que a forma como esse estado chega, possa parecer sutil. Ela é bem real, porque as técnicas do Tantra giram em torno de todo o percebido. Mesmo que você seja um crítico de si mesmo.

O Tantra te ajuda a se libertar das próprias críticas, ele objetiva a mente e torna sutil e doce o sentir do coração. A busca é simples: pelo seu sentir. Como diz o Sutra: ‘mudança que consome a mudança’; não se combate a raiva com a temperança.