Sedentarismo e autocomiseração, o olhar do Tantra

A questão do sedentarismo e da autocomiseração está no dia a dia das pessoas. Colocar a si mesmas para “baixo” é muito comum. De forma geral, os estados de ânimo tem a ver com o estado dos humores do corpo, ou seja, os hormônios. O corpo não serve para ficar sentado o tempo todo, e uma hora ou outra a conta chega, com doenças.

Muitos, mesmo doentes, não despertam para o algo mais básico: o sentir interno. E assim, como se sentir com tudo o que está passando? Em nome de uma suposta quantia financeira, muitos abarcam sofrimentos sem perceber. Por exemplo: o corpo sofre em #silêncio quando a pessoa passa 8 horas (e muitas vezes muito mais) por dia sentada diante de um computador.

Com a sensibilidade desenvolvida, o corpo passa a não aceitar mais determinados comportamentos. Na questão do nutrir ao seu corpo isso fica nítido! Se sentir o cheiro do embutido ultra processado e se permitir mastigar muitas vezes aquele “alimento” a pessoa, de forma natural e sem esforço, vai passar a rejeitar aquilo.

Mudança de hábitos para lidar com o sedentarismo e a autocomiseração

Assim, quando nos deparamos com o que as pessoas almejam percebemos o beco sem saída. Lidar com essas questões do sedentarismo e da autocomiseração tem a ver com hábitos. Dessa forma, colocar uma ou outra prática do Tantra ao longo do dia ajuda.

Tudo o que não faz sentido para o Tantra, cujo “sentido” é sentir, o que pode parecer um paradoxo, é a variável consciência. Assim, o tempo nos mostra que seguir a trilha também é viver melhor. A vida por si só é o presente. O Aqui e Agora é aquilo que existe. Questões do sobreviver são consequências menores de se estar no Tantra e viver a abundância, do ponto de vista latto.

Assim, a ideia é você olhar para sua vida de horizonte imediato, sem deixar de perceber o longo prazo. O aqui e agora apresenta muitas perspectivas de mudança. Se a questão é mudar de vida, vale a pena mudar um hábito. E o melhor hábito para iniciar é colocar uma meditação tântrica no dia a dia, ou uma técnica de Tantra Yoga. Tanto faz! O importante é começar aos poucos, para que grandes mudanças ocorram no médio e longo prazo.

Como na “teoria do caos”, o bater de asas de uma borboleta pode gerar um furacão. Pequenas ações geram grandes mudanças no decorrer do tempo! Mas se a variável fundamental é a consciência, então utilize a melhor técnica de expansão de consciência para você.

Acolher das emoções e como se livrar do “tenho que”

O acolher das emoções é algo diferente de submetê-las ao seu controle pessoal. Isso porque as convicções e paixões deixam de estar no centro das atenções e você passa a testemunhar aquilo que se sente. A vida opera por si mesma e a necessidade do presente se torna imediata, então de nada adianta querer direcionar para algo. Isso cria pré tensões.

É aí que mora a liberdade do Tantra! Ser livre para testemunhar tudo isso. Inclusive ser livre para testemunhar as próprias emoções, sem medo de sentir. Normalmente as pessoas falam “eu sinto muito” quando estão sentindo coisas tristes. Dizer eu sinto muito dentro do processo de desenvolvimento do Tantra é se abrir para sentir tudo: tristezas e alegrias, dores e prazeres. Isso em suma é viver, é a vida.

Existem pessoas tântricas que não sabem que são tântricas, da mesma forma que existem pessoas que acham que são tântricas mas não são. A quem passou e completou o processo de consciência meditativa. Ou seja, ser e estar no aqui e agora. Vai perceber que não vai mais haver a necessidade de “ter que” isso ou aquilo, ou pior, ter que ser isso ou aquilo.

A moral e os bons costumes e o acolher das emoções

Existem também aqueles que se dizem tântricos mas estão apegados à moral dual, mesmo que de forma sutil. Normalmente aparece em discursos dos “bons costumes”. Os processos que se fazem sentir, são parte de um todo; mas não adianta entrar em qualquer arte de “lutar”. Se a pessoa entra na luta, ela ainda está distante do processo de redenção próprio do Tantra. E no fim das contas, tudo bem também, cada qual terá seu próprio processo interior de percepção da consciência.

O ensinamento do Tantra, dos Sutras de Shiva, vai no sentido de não considerar nada como puro ou impuro. Mesmo que não esteja claro para o praticante em um primeiro momento, os começos duais podem parecer não têm custo algum. E à medida que você for desenvolvendo tal técnica de expansão, a não dualidade do Tantra vai ficando mais clara.

O Tantra diz que você pode! É difícil para a maior parte das pessoas acolher tanto a vida como a morte. Uma não é melhor que a outra! O ato de nascer muitas vezes dói mais que o morrer, mas a mente dá um atributo “bom” para o nascer. Parece sempre que o ato de nascer é “bom” e o de morrer é “ruim. E o que notamos é que não, o aqui e agora é o seu início e o seu fim

Mundo dá voltas e o que o Tantra tem a ver com isso?

Um dos Sutras de Shiva diz: ‘Esta é a esfera da mudança’, e continua ‘Mudança consome mudança’. Que o mundo dá voltas é consenso, exceto para quem acredita na teoria da casca da tartaruga ou é terra planista. Mas esse conceito da mudança é interessante, porque dentro da psique humana, o ato de sofrer vem do apego. E a circularidade da vida tira o peso dos extremos duais, bem e mal.

O caminho tântrico traz a ideia de (des) prendimento e de naturalidade. São técnicas que utilizadas para favorecer a própria vida, de som, respiração e movimento. Envolvem a sensibilidade interna. Se isso é bom ou se isso é mau, são outros 500s. Mas o foco do Tantra é o aqui e agora, abstraindo por completo o conceito de karma, que para a ótica do Tantra é um conceito de estrutura para a dominação.

Certa vez em Terapia Tântrica, comentando sobre esse fato do Karma, uma cliente disse: “eu não consigo imaginar um deus condenando minha gatinha a qualquer inferno”. O que as pessoas com certa regularidade acreditam é que o mesmo deus que pouca importância dá ao bem estar pessoal estaria ali para criar castigos.

Céu e inferno do mundo real que dá voltas

Tanto o céu como o inferno são criações de estrutura de dominação. O Tantra é técnica de libertação, então é óbvio que olhará para esses conceitos como se fosse uma grande piada. Culpa, pecado, não existem. Isso significa abstrair do discernimento pessoal? Não! “Tudo é lícito, mas nem tudo me convém”

Por exemplo, alguém desavisado poderia alegar que o Tantra está okay com o uso de drogas, porque usá-las desperta o Sensorial. Só que linhas tradicionais de Tantra não promovem ingestão de drogas psico enteógenas. E mesmo na estrutura de religiosidade latino americana, era o pajé quem consumia tais substâncias, somente.

Não por pessoas que não estavam preparadas para isso, tal qual observamos ocorrer nos dias de hoje. Porém, ainda que a forma como esse estado chega, possa parecer sutil. Ela é bem real, porque as técnicas do Tantra giram em torno de todo o percebido. Mesmo que você seja um crítico de si mesmo.

O Tantra te ajuda a se libertar das próprias críticas, ele objetiva a mente e torna sutil e doce o sentir do coração. A busca é simples: pelo seu sentir. Como diz o Sutra: ‘mudança que consome a mudança’; não se combate a raiva com a temperança.

Condenar ou não condenar: o Tantra que não julga

A partir da práticas do Tantra, o praticante nota: não há nada em que se apoiar, não há que se fazer esforço, porque assim, o processo de se quebrar o jugo acontece: sonhar e ser livre. O Tantra diz: olhe para um objeto como se olhasse através dele, e o processo ocorre: o observador começa a ver a própria mente funcionar: ocorre o ato de observar a própria mente. Ou seja, o ato de condenar é uma forma de pensar que abarca sempre a exclusão, como se houvesse algo em que se apoiar.

Para o uso hindu, os Shastras (escrituras) dizem que o remédio para Kali Yuga é o Tantra. Através do Tantra, as pessoas poderão se apoiar em suas próprias naturezas e a partir daí sair do apoio que o jugo dá. Nessa era da pós verdade, as palavras cortantes do ato de cancelar fazem parte do dia a dia das pessoas. Os valores se apoiam em atacar pessoas que supostamente cometeram o “erro”, e a partir daí, em nome do bem, o direito é velado, revelado e relevado.

O acento para passar do fim ao princípio fica no giro da roda. E é a partir da natureza da mente, do seu zigue zague, que as doenças emergem. A falta de constância e equilíbrio da mente tem relação com a natureza do corpo. É por isso, meu amigo, minha amiga, que os processos do corpo são importantes para os processos da mente. O equilíbrio do corpo reverbera no equilíbrio da mente.

Condenar: o sim ou não

E se alguém passa a observar a própria mente, os atos do jugo também passam a não fazer sentido algum: os processos desse mundo pertencem à transição. Como no Sutra de Shiva: essa é a roda da mudança. E se a natureza da mente pode ser observada, condenações cessam. A ideia do processo Tântrico é passar para o estado de Samadhi através de Kundaliní, para então, a pessoa será capaz de abandonar o próprio Tantra.

Sem bom nem mau, sem certo e errado. O caminho do Tantra é inclusivo, como na frase: tudo é lícito, mas nem tudo me convém. É essa sensibilidade de notar o que há de se convir: é o tempo quem dita o que pode ser ok para si naquele instante. A liberdade só surge com o desapego, porque hora ou outra, isso ou aquilo, há de ser próprio. Ou não.

Baixa energia? Aumente o vigor do dia a dia com o Tantra

No Tantra, existem muitas formas para lidar com a energia interna. Mas e quando a energia está baixa? Ou seja, você sente muita fadiga e desequilíbrio energético? Com o Tantra, que significa “método” ou “técnica” de expandir a consciência para além, você pode iniciar sua trilha para lidar com seu vigor interno com algumas técnicas de relax, de alimentação e do sexo.

Seu corpo tem necessidades de base, e se você está com questões de baixo vigor, já é hora de você olhar para ele com carinho. Sem entrar em moral ou dual, veja que tanto o sono, como a forma que se nutre e também a forma como se lida com a energia sexual mexem com o seu vigor para o dia a dia.

Tantra do Stress

Pode se deitar e fechar os olhos, e buscar abstrair seus sentidos, chegando próximo do estado de sono. Se dormir, tudo bem, só quer dizer que está com muita fadiga no corpo. Quantas pessoas passam uma noite inteira de sono sem de fato descansar?

Ninguém manda o coração bater, não é? O corpo tem uma serie de processos inerentes e automáticos, ou seja, vários processos ocorrem por si dentro do corpo. Assim como ocorre o grande ciclo da vida, um dia contém esse ciclo: o nascimento como o acordar e a morte como o dormir. É normal que quem tem medo de morrer tenha também o hábito de protelar o sono

Aceitar a vida em sua totalidade faz parte do processo de consciência do Tantra. Nesse sentido, hoje se sabe com a ciência que temos alguns fatores que definem como nosso corpo age e reage sem que seja preciso enviar sinais lúcidos para mandar ele (o corpo) fazer as coisas.

As vezes não sabemos lidar de forma objetiva com o stress do dia a dia, conta muito a nutrição, frequencia sexual e pratica de meditação (Foto de Nathan Cowley)

De qualquer forma, perceba que chegar próximo do limiar de sono não é o mesmo que dormir. É como treinar o mudar de consciência para um nível mais sutil. Pode deixar audios de natureza ligados (exemplo de audio de relax no YouTube), porque o ouvir é o mais sutil dos sentidos, e dessa forma, será possível o utilizar como um fio de consciência para o aqui e agora.

Lembre-se, para o Tantra, você é auto responsável pelo seu stress, busque sua própria plenitude com momentos de relax ao longo do dia.

O Tantra da Nutrição para baixa energia

Por incrível que pareça, trabalhar com práticas de jejum ajuda a aumentar a energia. Um dos 112 Sutras diz com relação a estar consciente no momento da fome. Tenha sempre muito carinho com seu corpo nas questões de alimentação, comece a ter consciência com relação a uma alimentação livre de dor e agressão.

Perceba também os excessos do dia a dia. A partir da consciência alimentar, muito do que você as vezes sente que não pode lidar acaba sendo impactado. Existem inúmeros estudos da medicina demonstrando o quanto o jejum intermitente favorece a dinâmica interna do seu corpo e sua mente.

Dentro do Tantra, a recomendação é tratar seu corpo com atenção e auto estudo, de forma que você se torne consciente dos processos de digestão e a sua relação com os alimentos. Quais alimentos favorecem seu vigor interno? Quais desfavorecem? Na ciência do Ayurveda, que é a medicina tradicional indiana, o conceito de saúde não é o mesmo que da medicina ocidental. Apesar de já termos avanços na ciência ocidental, essa ciência tem o foco na doença e em livrar o corpo delas.

Ora, mas saúde não é de fato a ausência de doença, ela em real, envolve outros aspectos como qualidade de vida e bem estar. Assim, a medicina tradicional indiana se dedica historicamente a entender por exemplo hábitos alimentares e sua relação com os biotipos (claro que digo isso de forma bem breve).

O Tantra do Sexo

A energia sexual é o mesmo que a energia de vida, então se você sente pesos, dores e morais com relação a sua libido, pode que esteja boicotando uma parte importante do vigor interno. O Sutra 48º de Shiva (dos 112 sutras) diz: ao entrar em um ato sexual, permaneça no fogo do princípio.

A instrução é simples, mas decorre muita polêmica daí, envolvendo celibato. O ensinamento Tântrico não envolve não entrar em atos sexuais. A questão é que os religiosos têm “medo”, porque essa é a energia mais forte que existe. Ela mexe com nossos instintos, com nossa vontade de viver, e também está ligada com o ato de nutrir-se.

Diferente da parte de nutrir-se, não deixei o subtítulo com o específico “para baixa energia”, isso porque, se você for, em sua vida íntima, para o ato sexual, de forma natural você estará lidando com o aprendizado interno da energia sexual. Faça valer a pena, e busque ter relações mais longas, e satisfatórias. Como se sabe que o ato sexual foi algo legal? Quando se sai com sensação de ter-se nutrido durante a relação.

Para quem busca o “Brahma acharya”, esteja ciente que ele vai ocorrer naturalmente: ele não é causa do samadhi, mas consequência do samadhi, lembre-se disso sempre que sentir que deve reprimir sua própria energia sexual.