Nem sempre é fácil lidar com o mundo impermanente. As mudanças acontecem de um jeito que muitas vezes nos pega de surpresa.

Sejam mudanças auto iniciadas ou impostas externamente, grandes mudanças impõe um ritmo diverso e tendem a gerar emoções e comportamentos indigestos. Dentro do espírito do Vijñana Bhairava, você pode aprender a ajustar seu esforço de acordo com a maré, e parar de nadar contra o fluxo natural.

Do ponto de vista prático #comolidar

Quando estiver lidando com mudanças na sua vida, o convite é contemplar para não entrar em uma reatividade. Elas podem te levar a uma ação ou não, mas o mais importante é que essa ação seja feita de forma consciente. O olhar imaturo também vai se transformando através da experiência.

Por exemplo, uma situação de luto, que por si só tem seu próprio ciclo de mudança. Ou seja, algo que ocorre por conta de uma forte perda, a qual, muitas vezes, está fora do controle da pessoa. A atitude interna mais fluida dentro da ótica do Tantra, seria exercitar o não controle. No entanto, esse exercício nem sempre está ao nosso alcance em um primeiro momento. A mente tem a necessidade do controle.

Esse processo demanda desenvolvimento, e você pode fazer o Aprofundamento Filosófico On-line para começar a se desenvolver nesse sentido.

Das possibilidades de grandes mudanças, existem aquelas que vem de fora e te forçam em determinadas situações. Mas também existem aquelas que vem de dentro. Estas últimas demandam um certo quantum de energia, porque precisam muitas vezes de um grande passo em direção ao desconhecido.

Para isso, é importante ter um atitude prática e resoluta perante a vida. Perceba seus padrões de pensamento, e busque sair da luta. Muitas vezes a maré é mais forte que você é o que você consegue nadando (ou lutando) contra ela é cansaço. Para isso, uma atitude interna de desprendimento pode ser bastante útil.

Transformando(-se) sem perder a essência

O que você faria se descobrisse que tem câncer? Muitas pessoas só param para pensar no que vale a pena na vida quando se deparam com um fato desse tipo. Em geral, as pessoas reagem com um estado de choque.

A busca por culpados também é muito comum. A questão é que encontrar ou nomear culpados não cabe às mais diversas situações, seja de luto ou de doenças graves. Essas situações são difíceis e exigem um estado de presença, porque de outra forma, a pessoa corre o risco de se perder em seus próprios pensamentos.

O que gera mudança, são as ações. Mas dependendo do estado de espírito, a pessoa pode se ver presa em um estado de inação que se perpetua.

Os pensamentos em geral seguem um padrão: na psicologia ficou conhecido como o ciclo do luto: depois do choque inicial, o padrão de pensamentos vai para a negação. Em seguida a pessoa vivência raiva, seguida pelo medo. Enquanto a raiva gera ações inconsistentes, o medo leva à inação. Assim, a pessoa entra no estágio da depressão.

Como lidar com as mudanças relacionadas ao ciclo do luto

O tempo da depressão pode durar um pouco mais, mas em geral, depois dela, o padrão de pensamentos começa a ficar melhor. Isso ocorre através de certos entendimentos internos. Estes por sua vez mudam a atitude interna da pessoa.

Não é suficiente ficar repetindo frases positivas para a própria mente de forma repetida para tentar mudar o padrão de pensamentos. Mas mudar padrões do corpo tem se mostrado uma forma eficaz e orgânica de lidar com a forma como pensamos.

Em geral, as técnicas corporais nos deixam mais bem preparados para lidar com mudanças. Isso porque, estarmos em conexão com o corpo vai deixar a mente ancorada no aqui e agora. Estar no momento presente é fator fundamental para lidar com questões difíceis que estão fora do alcance e da segurança.

Lidar com as mudanças faz parte da existência. Ao se conectar com o próprio corpo, como aspecto sagrado da existência, estamos nos conectando com um sistema em constante mudança. E mesmo quando ocorre uma mudança positiva, a pessoa ainda estará perdendo algo. Por exemplo, uma promoção no emprego vai fazer a pessoa perder uma situação confortável de dominar os desafios do dia a dia.

Sobre esse processo de navegar sobre os estados de espírito, existem muitas possibilidades de lidar. Exercitar um auto estudo de quais formas de lidar com as questões são mais adequadas para a sua personalidade.

Lidando com perdas e luto

Perdas doem. Ponto. O problema é que em muitos casos, as pessoas lutam para continuar em um estado de ignorância quanto às perdas enfrentadas. De certa forma, fogem, utilizando álcool (socialmente aceito) ou alguns tipos de anestésicos aceitáveis.

Quando navegamos por esses subterfúgios que são de fuga, não abrimos espaço para o crescimento pessoal. É nisso que o processo tântrico vai trabalhar: sensibilidade. A natureza já deu todas as ferramentas que necessitamos para lidar com os estado da existência. Quando paramos para sentir, o desenvolvimento pessoal ocorre.

Cuidado com os conceitos de culpa e de pecado

Os que mais se beneficiam desses conceitos são os religiosos que lucram comercializando indulgências. Então, um dos processos mais importantes é a busca pelo se libertar desses sentimentos de culpa. Pratique o perdão, e bola pra frente com resoluções práticas.

A culpa e o pecado se relacionam intimamente com a existência da vítima. A liberdade interna é um processo. Em algum momento desse processo você vai precisar se libertar desse conceito.

O “politicamente correto” dentro do conceito tântrico serve a uma função: conhecer as regras de forma a evitar dores de cabeça sociais para a sua vida. Quando você culpabiliza terceiros, na realidade, você está criando instabilidades de consciência para a sua vida.

Por isso, uma das recomendações para se permanecer no aqui e agora, em estado de fluidez, é transcender a culpabilização, e deixar essa tarefa para aqueles que propuseram a serem julgadores profissionais, uma classe de indivíduos que vive em fortes instabilidades pessoais, por conta da própria natureza da profissão.

De qualquer forma, para o desenvolvimento pessoal não vai adiantar você querer viver a vida da Poliana. Não adianta ignorar ou reprimir raiva, medo, choque, depressão. A recomendação para que a vida siga seu curso com plenitude é acolher o processo em toda a sua sensorialidade emocional.

A dica tântrica é lidar com emoções difíceis com uma atitude construtiva: essas emoções são sua defesa, e estão te dizendo algo. O mais importante é o que o seu corpo está comunicando para a sua consciência. A partir desde ponto, qualquer que seja ele, você pode progredir. Sem ilusões ou repressões, mas com um profundo sentimento de empatia para o que você está percebendo no determinado momento. Essa empatia não precisa ser somente com relação ‘ao outro’, mas pode ser uma também com relação a si mesmo.

Este post foi inspirado no livro “The Power to Change” do Campbell Macphersom, que você pode encontrar na parte de Desenvolvimento Pessoal da Amazon