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Vida Sexual e os Métodos de União do Tantra

Dos métodos de união, talvez o mais conhecido seja o Yoga. Porém, o mais imediato e acessível envolve a vida sexual. Ao mesmo tempo em que a questão sexual é por vezes atacada e reprimida. Conflitos internos estão sempre presentes na vida e nas mentes das pessoas, e existe um certo descompasso comum entre o pensar, o falar e o agir.

Quem nunca ficou em dúvida entre casar e comprar uma bicicleta? Se você sente que sua vida tem, não somente uma, mas várias travas, o texto vai abordar questões caras do sobre como o Tantra e o Yoga trabalham para a fluidez e integração do seu ser. Outro dia vi um vídeo de um padre católico falando o quanto a prática do Yoga o impactou. Passou a viver uma sensação de união com toda a existência.

Ou seja, em um processo de percepção da diferença entre o mundo exterior e o interior cada vez mais tênue. O mais interessante é que o Yoga mexe justamente com a fluidez da energia sexual dentro do corpo. Ou seja, mesmo sendo celibatário, todos tem energia sexual dentro de si e essa energia mexe com a própria relação com a vida.

Bases de uma vida plena

Uma das bases para uma vida plena é estar em relaxamento. O simples relaxar já elimina estados de ansiedade que atingem as pessoas hoje em dia, com mais afluxos do que o desejável em um ambiente com saúde. Agora, também não é fácil dizer “Relaxe!” a uma pessoa que já está nervosa, ou com muitas questões para resolver no campo da saúde ou material. Se você deseja reverter os momentos de ansiedade e desconexão, vale notar que a natureza não dá saltos. Ou seja, o tempo da mente não é o tempo do corpo e tudo ocorre em processos.

A vida e o pensar como processo de integração

Pode não ser óbvio que o universo não está dividido entre bem e mal. Isso impacta no sentido de se estabelecer as bases de uma vida mais plena. Porque com o dual, a tendência a exaltar aspectos que tiram a consciência da estabilidade ocorrem. Ou seja, passa a ocorrer uma luta, dentro do ser, entre o bem e o mal, o que toma o lugar da aceitação. Assim, a mente pode levar o praticante a um estado de conflito interior, o que per se, é algo instável.

No entanto, note que não se trata de tornar a mente em algo dual, condená-la. Ela não é a raiz do mal no sentido bíblico. Os pensamentos são fenômenos naturais, e a sua mente não está alheia ao seu corpo. É difícil perceber em um 1º momento o quanto a mente responde e interage com os aspectos do corpo. Dor e sofrimento fazem parte da vida, a questão está na forma como se lida com eles. Qualquer “lado” que se escolha a pessoa entra em conflito. Quer dizer, é muito normal ouvir pessoas falarem que estão do “lado do bem” sem se dar conta de algo vital. Ao criar o bem, cria-se também o “mal”, bem como a luta entre eles.

Religare Tântrico: aceitando a vida sexual

O Religare Tântrico envolve tanto a relação interna do ser, como a que se dá ao longo da vida. Em geral, quando as técnicas são aplicadas com afinco, melhoram muito o dia a dia do praticante. E na medida em que o próprio Yoga se origina do Tantra, fica claro que o Tantra trata não só de unir e integrar, mas também da transcendência. O problema é que a transcendência é quase um monopólio das religiões, que em geral ensinam a divisão e o dual.

Também não se trata de negar a existência do dual. Esse é outro conceito base da vida: a energia flui de um polo para outro. O problema acontece quando o dual entra em um âmbito moral da existência. A questão vai mais fundo. O ingênuo “Livrai-nos do mal” ou “faça coisas boas”, traz consigo uma carga forte de culpa e medo. O papel de figuras religiosas seria libertar! Não de aprisionar as pessoas nos próprios melindres da alma. Elas, por sua vez, acabam se tornando suas vítimas, presas no labirinto dual da existência.

A vida sexual como Culpa e Pecado

O “Pecado Original” é um dos maiores símbolos de prisão dos seres humanos.
A trilha do Tantra leva à libertação, de uma existência automatizada e escrava para um estado de lucidez e relaxamento. De todas as uniões possíveis, a mais ignorada como forma de se tornar um ser mais lúcido, mais pleno, mais vivo é também a mais óbvia. Ela foi relegada à culpa. Imagina se as pessoas soubessem que o caminho para céu está no ato sexual?

Ninguém mais iria procurar os padres e pastores, talvez. Na história do Tantra, os primeiros que chegaram ao Samádhi (correspondente ao estado de graça), o fizeram em ato sexual. Muitos se referem a este estado como um estado de iluminação. É muito pouco provável que os primeiros a chegar lá tenham o feito fazendo posições, ou ficando parados tentando meditar. Nesse estado é possível jogar luz (de diferentes cores e formas) sobre qualquer aspecto da vida que se queira.

Yug: raiz sânscrita para os termos religião e yoga

O termo em sânscrito yug dá origem tanto aos termos yoga como ao termo religião que vem do latim, religare. Ou seja, em si, yug significa união. Os religiosos da atualidade estão pré ocupados em angariar fundos. Nesse processo, que se tornou um processo de “palavras”, jamais dariam o Caminho das Indias de mão beijada. Quando pensamos nesse caminho, existem 112 Sutras que indicam os Tantras (métodos, técnicas) para percepção da realidade e consciência. E mesmo que a pessoa não seja “sexual”, a expansão ocorre pela via da energia sexual, ou energia de vida.

Como se libertar do medo e da culpa com relação à vida sexual

Quando se trata da energia de vida, não tem como se esquivar da energia sexual.
Por isso existe uma relação importante em sair do dual quando se trata de lidar com essa energia de forma mais direta. Seja em sessões de terapia tântrica, seja na própria vida sexual, independente do Tantra. É por isso que gosto do exemplo do micro celular: quando uma célula se reproduz, a pessoa vê como um cicatrização. Ou percebe que está ficando menos doente, está com o sistema auto imune mais forte. Assim, o medo e a culpa com relação à energia sexual são fatos políticos e morais, não são naturais.

Yoga mexe com a vontade de fazer sexo?

A libido pode acontecer de diversas formas por conta da prática de Yoga. É normal que as pessoas não notem nexo entre meditação e energia sexual. Mas a subida da Kundaliní (Energia Sexual) através do canal de energia da coluna vertebral é base para que a pessoa sustente estados de consciência expandida. Se estamos falando de uma energia que se manifesta sexualmente, então a libido, bem como a regeneração celular e a imunidade são impactadas pelo processo! Assim, o estado de Yoga (sensação de União) também é um estado dde energia sexual acima dos níveis comuns.

As ideias morais, ou moralismo, separam o efeito do Yoga da libido e energia sexual. O Yoga muda, quase sem querer, vários processos internos. Por exemplo, a forma como a pessoa se alimenta, faz sexo, e também como dorme. É normal que as pessoas falem que são impacientes demais para “ficar muito tempo parado”. Isso acontece porque elas não se dão conta do prazer que o próprio corpo dá quando a consciência está presente no aqui e agora. Esse prazer deriva sim do prazer sexual, mas poucas pessoas o expõem como tal. Quando alguém começa a praticar Tantra e Yoga, joga luz sobre a energia sexual, e isso pode se tornar um problema. Porque ao fazer isso, a pessoa vai ter que lidar com suas próprias sombras duais.

Não consigo me libertar da culpa do sexo; como proceder?

Um dos aspectos básicos da culpa é o fato de que ela cria luta e divisão no interior do ser. De forma geral, notar um aspecto básico da sua biologia ajuda a se libertar: a natureza não criaria algo super prazeroso no corpo se isso não fosse para alguma funçao. Ora, a função que todo mundo sabe, reprodução! Mas os religiosos dizem que é algo que gera “danação eterna” se for feito por prazer. Das espécies do mundo, somente três (se eu estiver errado, me corrija) fazem sexo por prazer.

Ou seja, Deus teria expulso o homem do paraíso por conta de comer do “fruto proibido”. Muitos interpretam que esse fruto seja o sexo. Outros já enxergam que o fruto era o “fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal” Entender que sexo por prazer existe na natureza pode ajudar a pessoa a se libertar de alguns fantasmas.

Perceber que o Tantra produziu o maior número relativo de mestres ascencionados ajuda. Em termos de quantidades de pessoas, as trilhas patriarcais representam mais de 95% da população da Terra. E mesmo que a pessoa seja praticante do Tantra (matriarcal), ela acaba herdando os moldes mentais duais e de auto repressão comuns na vida. Agora, quando se olha os mestres ascencionados, é quase que uma unidade: Tantra. Não existe Guru (Professor) sem Tantra (método).

Fechando-se para qualquer culpa

Assim, se você sofre com culpa com relação ao sexo, o primeiro passo é parar de criar bloqueios mentais com relação à sua vida. O método tântrico funciona porque é simples: o relaxar conduz à meta de expansão, quase que sem querer. Qualquer oração que fuja do sexo, não é uma oração amorosa pelo simples fato de estar em desarmonia com parte integral de seu ser. Isso significa que a morada da mente que é o corpo, e o corpo depende da mente. Ou seja, não adianta lutar contra qualquer um dos dois. Também não adianta achar que uma vida de monge é mais “elevada” que a vida dentro do mundo.

Deva Bebaak Ver tudo

Sempre gostei muito de estudar tudo relacionado ao Hinduísmo. Engraçado que tenho a sensação de que só de ouvir termos em sânscrito (língua antiga da região que hoje é a Índia) me sentia atraído para tal. Atualmente, Yogin e Tantrika, faço das atividades ligadas ao hinduísmo um estilo de vida.

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