dilemas de bioética no tantra

O que é bioética?

Antes de olhar para os dilemas de bioética, é útil saber que este é um campo que (re) une temas de biologia e medicina mas também do direito, das ciências exatas, da filosofia e do meio ambiente. Ele é conhecido principalmente pelos avanços da técnicos no mundo, mas envolve a forma como se lida com a conduta pessoal (por exemplo, dentro de um serviço com o tantra.

Exemplos de casos que envolvem bioética são as polêmicas em torno do aborto, do transplante de órgãos, do uso de animais e humanos em experimentos, do uso de células-tronco, da eutanásia, do suicídio, da fertilização in vitro, entre outras.

O Tantra e a Bioética

O grande desafio que envolve o Tantra e o atual status social, se dá no ponto central das técnicas: são não duais. Assim, o problema é que as interações humanas passam em bases duais. Isso porque, o certo e errado estão muito presentes no nosso dia a dia.

Ao olharmos para os 112 Sutras que dão origem ao Tantra — os Sutras de Shiva — é fácil notar que eles são não duais. Isso porque jamais delimitam limiar de certo e errado, ou bem versus mal. Eles tratam de abordar aspectos comportamentais, técnicas físicas.

A questão que surge é que quando pessoas imersas no mundo dual entram em contato com o Tantra, vez por outra que se vive no meio, entra no dual. Não é incomum ver alguém dizendo “o Tantra é muito bom”. Uma forma de dizer isso sem entrar no “dual” pode ser “O Tantra funcionou pra mim”

Os dilemas da bioética no Tantra dos dias de hoje

Uma das maiores questões também está na questão de que o que a maior parte das pessoas entende por ética, em real se trata de moral. A ética por si só não é dual, uma vez que ela está mais relacionada ao ser íntegro (uno), do que o dividido (dual, bem versus mal). Só que hoje em dia, quando alguém pensa em uma pessoa ética, ela pensa em pessoa que “faz o bem”.

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Foto de Polina Tankilevitch

E não adianta tentar explicar por A mais B que o Tantra é não dual, porque se alguém tende ao real dual, sair da luta “bem” versus “mal” é um longo trilhar. Entender o Tantra não é só entender o que se diz da dualidade: está em passar pela experiência que te transforma. Além disso, entender que a prórpia vida é um Tantra.

Então, quem é adepto de substâncias que alteram a psique, seja enteo, seja alucino, isso também não transforma verdadeiramente. Perceber o gap de consciência ajuda a expandir a consciência, e por isso, alguns grupos de Tantra utilizam ervas.

Dilemas da bioética no dia a dia terapêutico

Nesse sentido, as questões que surgem são tênues. Em uma clínica de Tantra recebemos casos de pessoas que tem questões com a sexualidade. Uma das questões principais se trata de pessoas que já sofreram abusos.

Essa questão é sutil em alguns casos porque em um local que atua com Tantra existe uma busca pelo sentir. Só que quando se trata de um contexto dual, a lógica é que a pessoa que foi abusada também busca se tornar abusadora. E em muitos casos se torna um ciclo de toma lá dá cá.

O centro de baliza dentro do estudo da bio ética se dá em 4 eixos: 1) o bem do paciente, e 2) passar pela exp sem sofrer danos; 3) ser capaz de tomar suas próprias decisões, o que envolve o falar e o ouvir; 4) impacto que a transformação individual gera na relação com as pessoas com as quais vive e convive.

O campo estético

Outra questão de bioética a qual o Tantra impacta, está na relação que as pessoas possuem com seu próprio corpo também: o sentir-se belo, a própria estética do corpo. São tantas as pessoas que buscam o tal do corpo perfeito, e passam por várias cirurgias efetuando agressões ao tempo do próprio ser.

Um viés do Tantra está no que está ou não de acordo com a vida da pessoa. É por isso que dizer “sensorial” não é o mesmo que utilizar substâncias de recreio. O sensorial do Tantra envolve também o ponto focal de ser e estar bem em si. O processo não ocorre somente com conversas, mas com técnicas físicas. E a busca por liberar os humores internos