Sociedade Tântrica

Sociedade Tantrica

Se estiver com muita coisa na mente ou em agitação física, provavelmente as nuances e as entrelinhas vão passar batidas. A sociedade tântrica secreta é diferente daquilo que você pensa que é. E é válido dizer isso aqui, pois dessa forma, digo reiteradamente, evitamos julgamentos alheios a si mesmo. É impressionante como o Tantra se tornou forte sem vermos tantas pessoas se auto declarando Tântricas.

A mente leva a gente pra longe, né? Os Tântricos trabalham dentro de um sistema laboratorial e os efeitos, mesmo sendo cumulativo, às vezes dura somente alguns dias ou horas. Eu sei que é difícil esperar que você que nunca nadou saiba exatamente o que são esses efeitos que eu estou falando… Afinal, finais de semana sem qualquer compromisso e mesmo assim, um impacto que pode permanecer por todas as muitas vidas que viver nessa vida. Recomendo sempre que ao ler esse tipo de texto você esteja em estado de relaxamento.

O Tantra na superfície

Você vê tantas pessoas falando termos como “não julgamento”, “não luta”, “além do bem e do mal”, “amor e amorosidade”, sem perceber que a combinação e a sincronicidade tântrica estão por trás de diversos fenômenos do desenvolvimento humano e da expansão de consciência. Por exemplo, se tomarmos elementos do desenvolvimento monástico do cristianismo, encontraremos o Tantra em sua base de desenvolvimento, mesmo que não chamem de Tantra. [Aqui, volto a ressaltar que quando digo “Tantra”, me refiro às 112 meditações que levam a consciência além]. Quando alguém começa a se aprofundar em Tantra, os caminhos anteriores se tornam mais claros, e indissociáveis do Tantra.

Além disso, onde em algumas ordens iniciáticas o aprofundamento no ser e estar (presentes) permanecem na superfície, até por desconhecimento pessoal de quem ministra as liturgias, o Tantra consegue te levar às águas mais profundas. A profundidade vai ser bem vinda. Eu aposto que você pode estar se perguntando: mas por que alguém gostaria de entrar nas aguas profundas da existência? Nesse caso, só posso indicar que aquela sensação de frio no estômago, arrepio na nuca, sopro sem sopro te levam a esse caminho de forma invariavelmente natural.

A Sociedade Tântrica dos segredos

Mas voltando à questão da Sociedade Tântrica, é preciso ter em mente que as diversas perseguições religiosas na idade das trevas tacaram fogo no Tantra. Nesse processo, pouco a pouco, as técnicas foram assimiladas e aplicadas em diversas liturgias, mas a essência não-dual, desrepressora, matriarcal e sensorial havia sido eliminada na base do ferro e fogo. Não é a toa que você olha para o mundo e percebe essa desconexão e uma sensação de que a qualquer momento toda essa estrutura pode ruir. A estrutura foi construída com base na luta. O Tantra não entra e nunca entrou na luta. Impossível entrar, porque uma vez que alguém menciona qualquer luta, já automaticamente deixa de ser Tantra.

De qualquer forma, ao longo do tempo, os Tântricos testemunharam suas culturas originais sendo depredadas pouco a pouco. Naturalmente, era necessário tomar alguma atitude com relação a isso. O que aconteceu? Organizaram-se. Quando os primeiros escritos identificados como “Tantras” surgiram, já era meio da idade média. Naquele contexto, a India estava no processo de evangelização similar ao que na Europa ocorria com o cristianismo e na península arábica, oriente médio e norte da Africa, ocorria com o Islamismo; dualizaram as técnicas e transformaram sua sociedade no oposto da que a tântrica representa.

No entanto, é notável que, na medida em que existe qualquer tentativa de organização, conflitos e atritos tendem a surgir. Superadas algumas desavenças naturais, dentro de uma sociedade tântrica nascente, um ponto de acordo: o Tantra, naquele momento, precisaria ser gupta vidya (conhecimento secreto). Se apoiaria, para ser transmitido com segurança e sem perseguição dos fanáticos evangelizadores dualistas, nas tradições de discipulado que se estabeleceram na India. Combinando as habilidades de diferentes tipos de tradições tântricas, sendo ensinadas das mais diversas formas, porém sem focar sua atenção no “homem comum”, dominado pela dualidade e preso na falsa luta do “bem contra o mal”.

Luta e não-luta

Os tântricos encontravam-se naquele momento sem muito poder de ação para desenhar limites de atuação na esfera comum, por isso tantos códigos de proteção e discrição foram estabelecidos. Com o passar dos anos, a Religião dual entrou em conflito com a Ciência. O problema do conflito é que ele leva a uma falsa sensação de “vitória” – não existe vitória, porque não existe luta.

A luta é falsa e é criada para confundir as mentes mais fracas. Nesse processo, as mestras e mestres de Tantra passavam por diversos altos e baixos. O contato com as energias sutis foram e processos de auto-desenvolvimento foram relegados com teor de misticismo. O contato com a expansão de consciência do ser e estar foi também, com a ascensão da ciência em conflito com a religião, relegada a uma esfera existencial mística e espiritualista. E por mais que haja algumas espécies de abordagem de abordagem espiritualista, o Tantra não é místico. Existe uma lógica do aplicar das técnicas do Tantra, tal qual existe uma lógica corporal do aprender a dançar, nadar ou simplesmente andar de bicicleta.

O Tantra atua na interconexão dos neurônios, te trazendo habilidades de percepções mais sutis. E da mesma forma que fulano tem facilidades em desenvolver habilidades musicais, ciclano mais facilidade em aprender linguas e beltrano no pensamento lógico matemático, o Tantra vai fazer aflorar em cada individualidade suas próprias características de uma forma mais vigorosa e consciente, beirando o paranormal. A verdade é que nenhum ser humano está próximo da normalidade, essa é outra falsa ideia da qual o Tantra vai te ajudar a se dissociar. As tradições tântricas mantém viva a raiz da conexão akashica, e isso não tem como morrer, pois significaria a morte da própria espécie humana em si. Então, alguém vê motivos para permanecer em luta?