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O Cenário atual do Tantra

cenário atual do tantra

Possivelmente o Tantra (que está nas 112 técnicas de Shiva) tem origem nas primeiras experiências humanas de expansão de consciência. Ao longo da história, tivemos momentos com predominância da religião, e a partir de determinado momento, a ciência foi conquistando espaços de respeito. Hoje em dia, por conta de politização do diálogo científico, a ciência passou a ser atacada. O cenário atual do Tantra envolve diversos aspectos e não surgiu do nada.

O crescimento pessoal proporciona, independente da cultura em que se esteja inserida, situações de autossuperação ao se transcender determinadas dores. Muitos pensadores categorizam as tais “dores do crescimento” como fundamentais para que ocorra o processo de expansão do ser e estar. Atualmente, nos encontramos em ambientes que fornecem anestésicos por demais. Então, a oferta grande de anestésicos tornou muitos indivíduos em pessoas pouco tolerantes a qualquer tipo de dor. Temos balizadores de dores para diversos aspectos.

por que a abordar esse tema quando trata do cenário atual do Tantra?

O Tantra, do princípio, reconhece e acolhe este tipo de ocorrência na vida individual, sem necessariamente fornecer anestésicos, que, sem dúvida, se fazem necessários, mas que não são benéficos para o amadurecer e o lidar de forma centrada com aspectos da vida. Por termos colocado a balança na direção do lado da ciência, a mente passou a ocupar um papel de importância exacerbada na existência. E os aspectos de crescimento emocional e mesmo físico: temos adultos de mais de 40 anos com corpos e emoções não maduras.

Nesse momento eu faço um convite: como você, enquanto pessoa, entende Tantra, e como você pode contribuir para o entendimento de pessoas que não conhecem todo o potencial transformador que o Tantra oferece? Ao levar em consideração que cada pessoa conectada e integrada em seu ser e estar faz parte dessa construção gregária do papel do Tantra, e de que eu me coloco como observado com visões limitadas e pontos de vistas pessoais sobre o relato de cenário atual.

Na medida em que vamos se desenvolvendo dentro do Tantra, a consciência de que cada indivíduo atua em consonância com suas verdades. Quando a desenvolve-se as características do Swadhisthana Chakra [chakra sacro ou sexual]. Existem questões da sua vida que começam a ser trabalhadas: autorresponsabilidade, desejo e desejo de ser desejado, autoria e autoridade, determinados graus de apego.

Por isso a pergunta: será que existe um único humano que seja “dono” da verdade do Tantra? Nesses tempos temos 7 bilhões de verdades sendo expostas de forma ainda mais intensa por estarmos em proximidade virtual acelerada. Uma pessoa que mora na India se tornou minha vizinha próxima com a condição que eu “ligue” a minha atenção e ela se coloque disponível para essa atenção.

Tantra e o impulso hype

Nossos sistemas de aprendizagem foram construídos para que as crianças saiam de lá respondendo o certo e o errado, e isso constitui o início do problema. Dualistas dominaram o ensino e as redes de comunicação e embora a dualidade não controle o mundo. Com certeza ela gera impactos concretos no comportamento humano e nos padrões de pensamento.

E aí você me pergunta por que tanta gente se denominando “Tantrica” além de Tantra ter ganho um impulso hype nos últimos anos, mesmo sem ter tido qualquer experiência verdadeiramente transformadora e impulsionadora do ser. Isso tem a ver com raízes duais muito profundas e com a perseguição patriarcal e religiosa: o Tantra está escondido e é secreto.

Essa natureza automática de que a consciência tântrica se desenvolve para cada indivíduo no limite do que a pessoa está preparada para lidar. Isso porque os religiosos decidiram que o Tantra é muito perigoso. Depois os racionalistas e cientistas não conseguem usar muito seus métodos porque o Tantra per se constitui um método. A diferença que, sem Tantra, a vida tende a se tornar mecânica e cinza, com Tantra, o individuo se integra a si mesmo e vive sua essência. Mas per se é um “como”, ou seja, um jeito de viver.

De qualquer forma, há muitos anos a religião decidiu que o Tantra era muito perigoso. As razões são muitas, mas a principal: o Tantra é como executar o próprio religare a que as religiões se colocaram como mediadoras — e historicamente ao terem se postas como tal, começaram a criar dificuldades (culpa e pecado) para vender facilidades (pedacinhos do céu). Se os indivíduos soubessem que poderiam expandir sua consciência (ter um lugar no ceu) sem despender qualquer centavo. Eles não precisariam de sacerdotes intermediando e mediando a conexão com o sagrado natural.

Motes do Tantra

Então lembre-se que o Tantra das 112 técnicas é “um meio, um como”. Dessas 112 técnicas, surge todo tipo de religião, filosofia de vida, teosofia, yoga, arte, terapias e terapêuticas, etc. Sem sombra de dúvida, a expansão de consciência passa pelo Tantra. E lembre-se de que você vai encontrar no cenário atual escolas e tradições tântricas que muitas vezes são contraditórias entre si. O que une todas as escolas, volto a dizer é adwaita, não-dualidade.\

Agora, se analisarmos as manifestações dentro do cenário atual do Tantra no ocidente, encontraremos indivíduos e grupos de indivíduos que se identificam como tântricos, realizando séries de eventos, vivências e workshops. Esses eventos normalmente não são vinculantes. Não pressupõem que pessoas estejam matriculadas e os indivíduos passam por experiências práticas ou séries de práticas com enfoques específicos.

Além disso, não é de hoje que verificamos técnicas do Tantra em cenários de liturgia religiosa. Instituições de Tantra que trabalham como tradições iniciáticas também possuem suas vantagens: elas estimulam a pessoa a praticar as técnicas de forma diligente e disciplinada. Apesar de a proposta Tântrica estar com o enfoque no aqui e agora. Ou seja, o impacto do Tantra tem característica cumulativa, ou seja, não é facilmente perdido no tempo. Por exemplo, se alguém para de praticar o Tantra por anos, e decide voltar, o período de readaptação de consciência interna e de adaptação corporal são facilmente readquiridos. A pessoa não “perde” o caminho das pedras.

Pontos de vista do cenário Tântrico

Além disso, é notável a observação das contradições dentro do ambiente tântrico. A questão da disciplina, por exemplo, se você for analisar o discurso da linhagem Dakshinacharatántrika (que em alguns círculos é conhecido como caminho do guerreiro) é comum termos uma ênfase na disciplina. Agora, se olharmos o viés de alguém que segue a linhagem Vamacharatántrika (conhecida por alguns como o caminho do rei) notará um certo desdém pela disciplina e constância e sim uma ênfase no carpe diem. Quando analisamos pessoas vindas do Caminho do Meio, normalmente pessoas ligadas ao Tantrismo reinante no Budismo, a percepção de Tantra encontra um mix dos elementos com ênfase no não-julgamento.

Fora essa ênfase, ainda existe a variante espiritualista e naturalista e que impacta o discurso que será criado por esses praticantes de Tantra. E depois de ter chamado a sua atenção para a diversidade de linhas de pensamento e desenvolvimento de comportamento tântrico. Assim, gostaria de chamar atenção que existem padrões de individualidades. Dentro de uma existência, a pessoa pode passar por diversos estágios dentro do Tantra. Por exemplo, o Osho chama bastante atenção para o fato de que muitas pessoas entram no Tantra (em termos de India) por conta da prática do yoga.

Isso significa que ele mesmo chama atenção para o fato de que o indivíduo chegará em um momento em que terá de abandonar o Tantra. Então, a dica é: viva a sua fase de vida de acordo com a sua verdade interna e tenha sempre o enfoque de que você é responsável pela sua vida. Ninguém mais. Isso determinará a forma como você enxerga o Tantra e a relação com outras pessoas; permitindo que saia de um estado de luta, para adentrar em um estado de autoaceitação.

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