Tantra

Dualidade na Individualidade de massas

Para uns, o Tantra estará associado a “ritualística”, para outros, à habilidade de lidar com a Kundaliní, para outros, Tantra será a prática de determinados exercícios corporais, outros ainda entendem que Tantra é amor. Todos estão certos. Perceba: o Tantra impacta na individualidade de cada pessoa, e a partir dessa individualidade, desse contexto pessoal, a pessoa passa a ter processos individuais de expansão de consciência, saindo da dualidade.

Outros ainda perceberão o Tantra intimamente ligado à Ciência, como na frase do Osho: “o Tantra é extremamente científico, ele é a ciência do que acontece da pele para dentro e te fornece técnicas e métodos para lidar com seu corpo.”

Mas sem dúvida alguma o Tantra vai mexer com seu sistema: de repente você acorda um dia e tem alguma percepção de que não existe qualquer resposta além de Tantra. E na Era de Kali, você está certo. Estamos conversando sobre o Tantra porque estamos na Era de Kali. Sempre vale a pena recordar: não é porque ocorreu qualquer vislumbre da não-dualidade, isso não significa que chegou no ápice do que o Tantra proporciona.

Processos e respeito e o lidar com a dualidadade da individualidade

O Cada pessoa tem e terá seu processo no caminhar se desenvolvendo de forma distinta, a não-dualidade e o não-julgamento são simplesmente os primeiros passos para a auto-libertação. Um dos exemplos mais comuns é a palavra “empoderamento”. Se empoderar não tem nada a ver com sair por aí arranjando bate boca e “ganhando” aplausos por lacrar em discussão. O empoderar-se se tornou supérfluo e superficial como o soar de qualquer palavra proferida profanamente.

O conceito de empoderamento dentro do Tantra chega na raiz da força vital de cada um e é por chegar nessa raiz que criou-se o estereótipo de que Tantra está relacionado com sexo. E existe muita repressão de fato em cima da energia sexual. Além disso, a diferença do Tantra está no profundo conhecimento de como lidar com a energia sexual: sem qualquer julgamento é somente o primeiro passo.

Eram vários os grupos tântricos trabalhando com as técnicas, testemunhando floresceres de consciências, agindo de formas muitas vezes contraditórias, promovendo ritualísticas das mais diversas. Quem não estava no Tantra simplesmente não tinha nenhum poder de fazer qualquer coisa acontecer, e ainda hoje é assim.

Dualidade  na individualidade

Estar aprisionado ao “Sistema” e não ter qualquer poder sobre a própria existência. Hoje em dia, aqui e ali surgem pessoas falando termos que são abordados no Tantra. Paralelamente ao Tantra, surgiram então algumas correntes de pensamento, utilizando do saber tântrico para ganhar corpo e credibilidade. Ah, a dualidade sempre presente, as correntes de pensamento vão se contrapondo: razão e espiritualidade.

o papel da razão na expansão da consciência

O Tantra abarca a devoção, em termos de sinergia, está intimamente ligado com a percepção Sámkhya do mundo, não com a percepção Védanta, que geralmente em seus dizeres traz a dualidade da individualidade de forma intrinseca, criando distorções e contradições. Ainda em um estágio limitado, a percepção dual da existência impacta a tudo e a todos.

E mesmo os saberes do Sámkhya e do Tantra estando em sinergia com as descobertas científicas mais atuais, em muitos casos esses saberes funcionam somente em determinadas condições. Isso significa que tal saber é falso? Não, ele é verdadeiro, mas limitado como saber.

A sabedoria envolve um conceito condicionante sutil: o tempo; dualistas utilizam a negação da condicionante do tempo para trabalhar o bem e o mal da forma como se é mais conveniente para a individualidade que profere a dualidade. De qualquer forma, o que torna a ciencia mais complexa é reproduzir condições adequadas para aquele objetivo desejado. Assim, técnica e ciência se aliam em uma formatação simbiótica produtiva.

A ciência sem técnica se torna inócua e a técnica sem ciência se torna dispersa. Observadores do mundo natural então estabeleceram bases tântricas, mas perceberam que os seres humanos se inclinam para a dualidade. Isso porque a dimensão do espaço, na qual a linguagem se perpetrou, permite os tais zigue-zagues duais da retórica.

Saberes paradoxais na dualidade da individualidade

Abraçar o paradoxo é abraçar a dimensão tântrica da linguagem, sem negar, sem afirmar, apenas observar. As teorias científicas em um primeiro momento não ganharam tanto espaço; o Tantra foi usurpado por correntes espiritualistas na época da Idade Média. Após os sucessivos tumultos sombrios que perpetraram a existência humana dual, ligada à religiosidade, a Razão voltou a ganhar espaço no imaginário humano.

A razão não deixa de ter seus problemas como por exemplo a inclinação fenomenal a criar espaços entre pessoas; de qualquer forma, a razão impacta o dia a dia dos seres humanos que de nenhuma forma precisam estar ligados ao Tantra. Ela tem uma vantagem sobre a emoção, que atua em uma dimensão muito mais subjetiva da existência, que é o impacto na realidade compartilhada.

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