Kundalini Shakti

Ocorre muito misticismo em torno desse tema. Algumas pessoas chamam a Kundaliní de energia da espiritualidade. Mas pra desfazer esses misticismos (normalmente duais e que jogam a mente para o julgamento) que foram criados ao longo do tempo, e passar por um processo mais fluido de despertar, é mais acertado entender a energia de forma a não-dual. Mas afinal que é essa tal de não dualidade?

Em sânscrito, uma das traduções da palavra Kundaliní é “energia”. Então quando eu digo “Kundaliní Shakti”, significa Energia da Kundaliní. Antes de lidar com o significado da palavra Kundaliní, gostaria de tecer alguns comentários sobre a interpretação não dual da palavra “Energia”. Ora, energia é energia! Se você olha para a energia de um raio, dificilmente você vai pensar que ela é boa ou má. Provavelmente você ficará em estado de admiração. Fica fácil Notar que essa energia Simplesmente é o que é; Se um raio cair na cabeça de um ser humano, é morte na certa. Agora, à medida que foi ocorrendo o desenvolvimento técnico dos seres humanos, chegamos em um estágio em que podemos nos beneficiar com a existência física do fenômeno da energia elétrica. Canalizando essa energia com o auxílio de conhecimento científico e aliando a técnica com a ciência, foi possível desenvolver métodos sistemáticos para lidar com transformações de energia elétrica. Com relação ao uso que se faz dessa energia, ele entra na dualidade? Dificilmente! Porque tal uso se tornou acessível de forma geral e compartilhada.

Quando vejo materiais e dizeres sobre a Kundaliní, noto que existe um misticismo em torno desse tema. Misticismo que está rareando à medida que os “mistérios” vão chegando a mais mentes. Da mesma forma que ocorreu um processo de acumulação científica e técnica a ponto de gerar a possibilidade de gerenciar as correntes elétricas tornando possível o uso para aparelhos no dia a dia, boa parte da sabedoria oriental lida com a ciência e técnica do uso da energia interior: esse aprimoramento transforma a existência pessoal.

Nas escrituras religiosas da Índia, está escrito que a Kundaliní Shakti está enrolada 3,5 vezes na base da coluna e se encontra em um estado latente. Como fogo congelado. Em seu estado primordial, ela é responsável pelo regular primordial das funções do corpo. Agora, em seu estado desperto ela gera fenômenos sensoriais com maior estado de presença; esse processo alquímico do “despertar” da Kundaliní esta ocorrendo dentro todos os seres humanos, o problema ocorre que a maior parte das pessoas não entra em um equilíbrio energético para que ocorra sem que se faça nada. O processo do despertar é paradoxal, porque envolvem ações e atitudes internas que muitas vezes soam contraditórias. O segredo das contradições está no tempo e ritmo do processo.

As pessoas que estão começando a aprender a lidar com aspectos de autoconhecimento da existência muitas vezes aprendem características que não fazem parte de sua dimensão existencial. Se você apresentasse um televisor na idade media, ele seria encarado como bruxaria e não tecnologia, e seu corpo seria queimado na fogueira por heresia. A sabedoria do entendimento do tempo é fundamental: as vezes para a sua individualidade, será tempo de despertar. No tempo de despertar faça “isso”; depois, quando o processo tiver ocorrido, sua mente estará apta para apreender um outro processo que demanda uma ação ou atitude interna contraditória àquela que havia executado anteriormente. Por isso, o não-julgamento como atitude interna é tão importante.

Quando se abordam tradições de autoconhecimento, a noção de relativizar, temporizar, contextualizar, e principalmente não-dualizar enquanto atitudes internas faz toda a diferença nos processos dos sucessivos despertares que a Kundaliní Shakti promove na existência.