A ansiedade gera angústia. Assim a mente dos homens sempre fica nas praias que não existem mais. Com o passar do tempo, ela quer projetar até mesmo as praias que não vão existir no futuro. E a todo momento todos os rios estão chegam a praias novas, que um segundo antes não existiam, total desconhecidas e inesperadas. Isso é sutil: se todas as suas vontades fossem satisfeitas, sua vida seria feia.

Pense nisso: os hindus e o jainistas têm um conceito de liberdade (moksha). Ele funciona como um estado de consciência no qual nada muda. Pense por um momento — nada muda e as pessoas que se libertaram, segundo eles, ficam nesse moksha absolutamente imutáveis, sem nada mudar — isso seria um tédio completo.

Você não pode melhorar nada: a liberdade é total. Não se pode pensar em nada mais chato: você ali sentado, sem que nada mude, sem nada dizer. Cada momento parecerá uma eternidade. É um tédio. Para o Tantra, com base nas 112 ações, a alma da existência é a mudança. E a mudança deixa tudo mais rico. Na terapia tântrica, o convite é experimentar e passar pelo processo.

Imagine se alguém fosse sempre jovem, sempre igual, sem mudança de estações; nenhum verão, nenhum inverno, nenhuma primavera ou outono. Será alguém morto, de plástico, como nas histórias de vampiro. Não se pode amar alguém assim: o pesadelo dos mitos. Você vai querer ir para o outro lado do mundo a fim de fugir dessa pessoa.

Da beleza da não – ansiedade

Quando alguém que viveu a sua vida envelhece, envelhece de forma bela e se torna bela ao ficar mais velha. Se não viveu, passou a existência em ansiedade, apega-se a algum momento passado que não existe mais. É uma situação estranha quando alguém fica tentando se mostrar jovem, quando não é. A pessoa fica fora de estação, desintegrada de seu ser e estar, como que fora de compasso com a vida (é bela!).

Tudo é bonito no seu momento e tudo tem o seu momento. E por isso escapar da ansiedade: ela tira a pessoa do compasso. Assim, se você sente que sua vida está fora de compasso, já pensou em fazer aula de música, de algum instrumento musical? Parece que não tem nada a ver, mas ser verdadeiro com o momento: quando jovem, sê jovem; quando velho, sê velho, às vezes é uma questão de percepção de ritmo. Não misturar nem confundir as coisas.

Quando eram crianças provavelmente pensavam em se tornarem jovens, em crescerem, em serem poderosos; serem como o pai, como os adultos. Deviam pensar nisso quando crianças; perderam a infância e depois, no fim, querem a infância novamente. E falam, escrevem poemas sobre o paraíso que era a infância.

De fato, nesse senso, da sua parte não há de se fazer nada. É simples, seguir a natureza, vir ao presente. Então, entrar em um estado de ação fluida, inação. Como se estivesse sendo levado à deriva pela maré. Se tentar nadar pra cá ou pra lá, vai acabar saindo do ritmo e do compasso. Assim, tudo o que você fizer sairá errado. Por isso, o próprio fazer é errado. No estado de graça, o fluir.

Perder toda a vida por perder o primeiro passo?

Quando você perde o Éden, fica a falar sobre ele. Quando vive o Éden, a mente nem se dá conta de falar. Além disso, se você viveu o seu paraíso quando era jovem, então a sua aurora é bela. Isso porque, é baseada no Eden que você viveu quando jovem. Assim, a beleza tem uma graça de vida.

Se você tiver tido uma juventude, plena, é bem possível que a sua velhice será um pico, como o Evereste. Assim, os cabelos brancos em uma cabeça plena de si são belos como a neve de um pico alto, como o Evereste. E com todas as coisas passadas e cheias de si, como todos os rios fluidos, todas as praias cheias de brisa, você pode se deitar.

Sair da ânsia de ser o que não se é e chegar um vez na vida naquilo que não há, no vazio de ser a si mesmo. Não há para onde ir, nada a fazer: e assim o estado da graça de desapegar e relaxar!

Se uma pessoa que já viveu muito não consegue relaxar, isso significa que essa pessoa não viveu a vida. E se não conseguir relaxar, como será possível morrer de boas? Mas aí você me diz: quem morre de boas? Nunca vi. Dessa forma, é um parto pra nascer e outro parto (pior) pra morrer. Por isso, quem não consegue morrer, se dá por criar o desejo de um eu permanente, de um Deus que não muda.

Simplesmente saiba que a mudança é Deus, o tempo é Deus; a mudança é a única permanência que há no mundo. Saiba que só a mudança é eterna. Tudo o mais está mudando — exceto a mudança. Ela é a única exceção e não há necessidade de ansiedade alguma.

Apesar de não ter falado nesses termos, a idéia do Samsara se apoderou de um dos maiores do século passado, Friedrich Nietzsche. Diz que tudo já aconteceu antes, está acontecendo outra vez e acontecerá novamente. Recentemente, uma série do Netflix, Dark, usou esse tema. Não exatamente igual, mas ainda assim igual.

Se você pensar sobre isso, parecerá sobrenatural que você já tenha lido isso antes muitas vezes antes — e está lendo isso novamente. Ou seja, como um deja vou. Pode parecer estranho, como um dogma, pode ser que você se sinta que a idéia é difícil. Mas assim é. Isso porque a natureza aproxima as pessoas, depois as solta só para unir de novo.

Muitas coisas estão envolvidas. Primeiro: você não precisa fazer muito esforço. Fazer esforço pode ser uma barreira porque nada vem antes da estação certa — todas as coisas vêm em suas devidas estações. O esforço demasiado pode ser perigoso. O esforço demasiado pode ser um esforço para que as coisas venham fora de estação. Isso não significa não fazer qualquer esforço. Porque se você não fizer nenhum esforço, então não virá nem na devida estação. É preciso um tanto certo de esforço.

Samsara natural

Nenhuma saída é para sempre. Nenhuma união é o fim. A união é só um ensaio para o tchau. A saída é só um ensãio para a união. O eterno retorno dá o belo para a vida. Como na frase ‘deus é verão e é inverno’. Na sessão de terapia tântrica, um dos objetivos é essa reconexão com a sua própria natureza com e sem esforço.

Dessa forma, para alguém do campo, o ano não é dividido em meses, mas sim em estações, verão e inverno. De nada adianta ter pressa. Além disso, nada se pode fazer com as sementes se não tiver o tempo certo. Elas não ouvem. Ninguém pode leva-las à escola; E elas não se importam; não estão com pressa. Simplesmente esperam na terra.

E quando o tempo chega, brotam e crescem por si mesmas. Não estão preocupadas com você, se você está ou não com pressa, ou se algo pode ser feito. Você não pode persuadi-las, não pode falar com elas — elas têm seu próprio tempo. Alguém do campo torna-se o exemplo da paciência. Ou seja, entendem da matéria da vida.

Existem algumas pessoas que se iluminam e permanecem em silêncio. Outras pessoas se iluminam e falam a respeito. Essas se dividem em positivas e negativas. As negativas chamam de “vazio”: Shunya, o vazio, o nada, o não-ser, anatma. As positivas chamam de “o ser absoluto”, o BRAHMA, ATMA, supremo. Estas são as duas maneiras para descrevê-lo. Uma delas é positiva, a outra é negativa. Buda representa o olhar negativo, olhar para o fenômeno da iluminação, interpretou como vazio, enquanto Shiva tem uma ótica positiva. Através dos sutras de shiva que surgiu o Tantra, e a partir do Tantra, a Terapia Tântrica e o Tantra Yoga.

Isso acontece porque não dá para descrever com relatividades. Ou se descreve de forma inteira, e aí a pessoa vai colocar uma qualidade extrema, se permanece em silêncio a respeito do fato. Tudo ou nada – eles parecem opostos, só que dizem a mesma coisa. Tudo e nada são a mesma coisa, ninguém entende, porque nos dicionários eles são opostos, mas na vida não são.

As diferenças estão nas relatividades. Isso porque se você disser “eu amo todos” ou se disser “eu amo ninguém”, as duas frases significam o mesmo. Os extremos acabam se tocando, como um fio de linha, ao fazer um circulo… Então você pode chamar o todo de nada, ou você pode chamar o nada de todo.

Buda e Shiva: como o oriente interpreta a origem da historia de Adão

Se você disser “Deus é vida” logo vai perceber que não há sentido, porque a vida depende da morte para existir. As religiões brigam com a lógica desde tempos. Se deus é onipotência, onipresença e onisciência, então ele precisa incluir tudo. Ele precisaria incluir a morte dentro dele tão inteiramente quanto tem a vida, caso contrário, a morte é de quem? E se a morte pertence a outro ser e somente a vida é de Deus – então existem dois deuses.

Eles não chamam qualquer coisa, porque tudo o que você chamar – se você chamá-lo de ser ou não-ser – no momento em que dar-lhe um nome, um termo, uma palavra, você ter errado, porque inclui tudo.

Se Deus não for o criador e o destruidor, e se você diz que Deus é o criador, então quem é o destruidor? Se você disser que Deus é bom, então quem será o mal? Devido a esta dificuldade, os cristãos, zoroastras, e muitas outras religiões criaram um lado Diabo ao lado de Deus, porque a quem vai ser o mal? Eles criaram um diabo.

Mas nada está resolvido – o problema só é empurrado um passo para trás, porque então ele pode ser relevante perguntou: “Quem criou o Diabo?” Se o próprio Deus cria o diabo, então ele é responsável. Mas se Deus não criou o Diabo, como Deus pode destruí-lo? É impossível. Teólogos ir em dar algumas respostas a uma pergunta, mas a resposta novamente cria mais perguntas.

O brahmacharya — termo yogue para o celibato — torna-se uma luta contra a natureza. Se você não sentir fome, e se forçar a comer, isso também vai contra o natural. Quando não se sente tesão e continua no sexo, ou porque a outra pessoa precisa, ou porque a sociedade cobra, ou mesmo as duas coisas, você vai contra a consciência natural. Seja o que for que ela seja, sem nenhuma imposição de ego e ou (auto – ) repressão. A consciência é comum — e desnecessariamente você a proclama como sua. Nunca foi sua. Nesse sentido a terapia tântrica ajuda a aflorar consciências naturais diferenciadas.

Está sempre flutuando. Está em toda a sua volta. Torne-se mais poroso, mais permissivo, deixe-se levar profundamente — porque somente o todo pode entender o todo. Mas o todo pode fluir através da parte, se a parte permitir… isto é meditação; permitir que o todo flua; você desaparece completamente de cena… e então subitamente você se torna o todo. Mas por que é tão difícil ser natural? Somente uma dificuldade: se você for natural, não poderá ser alguém — não existe outra dificuldade. O sexo surge e você deixa que aconteça;

No Oriente — no passado, também no Ocidente — as pessoas lutavam contra o sexo, e isso vai contra a natureza e a consciência. Diziam que algo estava errado, que há algo errado no sexo — porque no sexo você se torna natural como um animal e todos os pregadores têm dito que você não deve ser como um animal. O que há de errado em ser animal? Olhe para os pássaros, olhe para os animais, vá às florestas e veja! A consciência é viva neles.

Sexo e consciência na vida natural

Não vá aos zoológicos, porque lá não há animais reais; eles estão corrompidos pelos seres humanos. Procure o selvagem. O que há de errado com ele? Parece tão belo, não há nada de errado em torno dele, mas todos os moralistas, todas as pessoas chamadas religiosas têm ensinado: “Não seja um animal!” E o seu ego sente que esse é um objetivo. Como se pode ser um animal? E o sexo o traz totalmente ao tino nato.

De toda forma, um monte de gente lutando de milhares — os sinais mudam, mas a luta permanece.. O Tantra diz para viver como um animal — com uma única diferença: consciência, seja no sexo ou em qualquer outro campo. E você só vai encontrar uma barreira pra isso: a dúvida. Só que se você confiar, tudo se volta ao natural, também de forma natural. Se você desconfiar da natureza, tudo é perturbado.

O Tantra diz para ser e estar desperto quando sua natureza interna ocorrer. E assim, permitir que ela floresça. E onde quer que ela te leve, está tudo bem. De qualquer forma, no final, a natureza vence, mesmo que se criem sistemas complexos de brahmacharya, a natureza tem intensão e força maior. Isso porque no final somente o todo pode ser bem sucedido. Por que então lutar desnecessariamente desde o princípio?

Uma parte do teu ser se desenvolve como pedra, como gelo. Para quem tem dificuldade de sair da inércia, o sexo, a raiva, o ódio, faz você se mexer. E é melhor mover-se para baixo do que tornar-se pedra ou planta (aliás, algumas plantas se movem mais que alguns seres humanos, por sinal). Se quiser ver gelo, pode ir aos mosteiros, católicos ou jainistas, tanto faz. Isso porque a linha do pensamento do mosteiro não importa muito. Ou seja, eles são contra o sexo, são contra a comida, são contra tudo. Desenvolvem a arte de congelar o fogo por meio do negativo, da negação. E se você nega, aos poucos a vida perde o fogo — pois o fogo é uma força positiva.

Se você nega, torna-se frio. E é por isso que existe uma parte do teu ser que está congelada. Por isso, parece ser melhor dizer para que se apaixone, que faça sexo, etc, porque isso pelo menos fará o gelo derreter. Também é óbvio que só a paixão e o sexo não farão com que você crie asas. Mas ao menos te dará uma consciência de matéria e das raízes para que você note que é dá para parar de ficar imóvel.

O Tantra mostra às pessoas: “Se você estiver frio, em gelo, vá para o sexo, isso o ajuda”. Obvio que só isso não é basta para chegar ao Samádhi. Mas ao menos um fato vai rolar: você começa a se mexer. Ou seja, te ajuda a pelo menos viver a vida. E uma vez que começa a se mexer, é mais fácil de mudar a direção e sentido do movimento. E por consequência, você nota que a dimensão também vai poder mudar.

Como sair do fogo negativo?

A negatividade é um método suicida. Aos poucos, você vai morrendo, você vai se matando e então congela. Mas nada se consegue com esse processo e na verdade, ele é uma queda. Pode-se ver claramente em seus corpos como processos de congelarem-se. Ao tocar a pele, sente frio. Ao segurar em suas mãos, sente que está dando a mão a um galho morto, não há nenhuma moção: nem uma energia se irradia. Não dá, não tira, não fala. E você pode as pessoas: só pelo jeito de andar, pelo rosto, pela forma como se mexe, você pode ver se são gelo ou não.

fogo negativo

Quando você ama uma pessoa, quando sente alguma coisa por outra pessoa, a sua bioenergia começa a vibrar. É por isso que no sexo você se sente vibrar — o fogo iniciou a ação; e quando você faz amor, a temperatura do seu corpo sobe. O amor é como a febre, uma febre temporária criada pelo seu corpo. É por isso que depois do amor você relaxa completamente, sente um fluxo.

Se você tem um orgasmo sexual, aconteceu um fluxo completo, a sua bioenergia está se movendo. Essas pessoas que não podem ter orgasmos profundos têm dificuldade para meditar também — pois se são podem se mover, como poderão? A primeira coisa é o movimento. A segunda coisa é tornar o fluxo de movimento sutil. E muitas pessoas não podem se mover, sentem medo, estão congeladas.

Para uma energia fluida é muito simples aquecer o corpo. Quando uma chama arde, ela arde por causa do oxigênio. Se não há oxigênio, o fogo se apaga automaticamente, se torna congelado. Então, por meio da respiração, com esforço e consciência de um farto respirar, isso traz cada vez mais ar, e quando tem mais ar de pronto, mais fogo se dá dentro de si.

fogo congelado

A primeira coisa que um terapeuta tântrico deve saber sobre você é se você é uma pessoa orgástica ou não. Se for, se todo o seu ser vibra quando você faz amor, e o fenômeno da vibração é tão profundo que você não existe mais. Então você se torna apenas um fluxo, da cabeça aos pés a energia se move como uma correnteza: não existem em você blocos de gelo, tudo se dilui.

Depois de fazer amor, você dorme profundamente como uma criança, porque a energia circulou. Você brincou bastante, está cansado, mas esse cansaço é muito bom. Esse cansaço é relaxante, agora você pode relaxar — e o corpo sente-se vivo. Por isso há tanta atração pelo sexo — porque, na verdade, ele é o seu corpo tentando encontrar uma maneira de ser orgástico, de ser como um rio, de derreter.

Quando se está gelado, fica difícil entrar em relações. Isso porque, a pessoa fica fechada dentro de si mesma, cria uma prisão (ou cria muitas) — e nessa prisão não há caminho para o Samádhi. Isso significa que é preciso derreter-se. Assim, antes de alcança-lo, terá que se relacionar com outras pessoas do mundo. Porque quando isso se passa, — ou seja, quando se ama, quando se faz carinho — o seu corpo dilui, ele flui e derrete. Quando ele flui, um outro passo pode ser dado.

Os santos e a consciência do fogo congelado

É óbvio que sem ar não há fogo, ele se torna congelado. Quando quem pratica a meditação parada toma conta da meditação vivaz, acaba por reagir contra, normal. Essas pessoas investiram tempo demais em tornar-se plantas. Elas não amam, e pensam que são santas — estão simplesmente congeladas, sendo cubos de gelo. Não há nenhuma energia em suas vidas, mas elas pensam que estão desapegadas.

É óbvio que há um desapego quando você entra no sutil, mas esse desapego é totalmente diferente. E há um desapego que acontece quando você não está fluindo de forma alguma. Por isso as meditações ativas te são formas criar calor, mais calor até do que o próprio sexo pode dar. As meditações, em particular aquelas que são feitas aqui no Attitude! Tantra, visam criar fogo dentro de você.

Do mesmo jeito, alguém morto está desapegado. Ou seja, um homem morto é celibatário — um homem morto está completamente morto. Você pode estar desapegado como um homem morto; é o que acontece em todas os mosteiros do mundo inteiro. E você pode estar desapegado de uma maneira completamente diferente, de um modo qualitativo e diametralmente oposto. É quando você está tão vivo que o fogo atinge um ponto onde a água não flui para baixo, mas começa a fluir para cima.

Mais fogo precisa ser criado dentro de você, você tem de se tornar uma fornalha. Absorva mais oxigênio, esforce-se mais, permita que o corpo se movimente o máximo possível, trazendo energia, pulsando de energia. Ela existe — é só fazê-la pulsar. Viva como chama que arde de ambos os lados ao mesmo tempo. E um dia você notará que a energia sutil está mexendo, e que você se tornou uma chama.

Atualmente os físicos dizem que a energia é a base da vida, que tudo não passa de formas de eletricidade. Sábios anciões dizem que é o fogo. Qual é o desvio entre os dois termos? A palavra ‘fogo’ é mais bela do que ‘energia’. Fogo é um termo um tanto mais fero e dá uma sensação maior de vida. Quando você diz que a eletricidade é a base, isso soa como se o universo fosse como um robô, porque a eletricidade tornou-se associada a peças do dia a dia; e faz também, nesse caso, Deus parecer uma máquina. Mas olhe por uns instantes — a energia elétrica é fogo.

Quando você é vital, quando está vivo, você é flamejante, inflamado. Mas vitalidade é fogo — os hindus chamaram esse elemento básico de prana, a energia da vida. Outros deram o nome da base de tudo de élan vital, tal qual o prana. Quem quer que a busque, de uma forma ou de outra chega cada vez mais perto do fogo. No fundo, esse existir pode ser tido como fogo, que é a própria vida. Zaratustra, na sua religião não teve dúvida: fez do fogo o sumo Deus.

O fogo contém em seu fundo muitas coisas. Porque essa é uma forma de falar, é uma metáfora: saber do feito do fogo, do seu signo. Heráclito, tido como o pai da dialética, por sua vez, quer indicar alguma coisa profunda quando diz que o fogo é o substrato. Observe o fogo numa noite de inverno; sente-se perto dele também e apenas observe, simplesmente sinta o calor.

Fogo da vida na dicotomia da linguagem

O frio é morte, o calor é vida. Um corpo morto é frio, um corpo vivo é quente — e você tem de manter um certo calor o tempo todo. Existe no homem um mecanismo interno para manter o calor sempre dentro de um certo limite, porque somente entre esses determinados graus a vida é possível. A vida humana só existe entre 35 e 43 graus. Há outras vidas que existem em outras temperaturas, mas a vida humana tem um espectro de apenas 8 graus.

Por isso, o sol é a fonte, a energia solar é fogo. Observe: à noite tudo se torna triste. Até mesmo as árvores, os pássaros, tornam-se silenciosos, sem cantar, todas as canções se perdem. As flores se fecham e toda a terra espera o nascer do sol. E pela manhã, o sol ainda não surgiu e a terra começa a se preparar para recebê-lo. Os pássaros começam a cantar antes mesmo que o sol tenha surgido — isso é um sinal de boas vindas. As flores começam a se abrir de novo, tudo se torna vivo outra vez, o movimento começa.

fogo da vida
Fogo primordial

É por isso que dizemos: “Meus calorosos cumprimentos”, e não “Meus frios cumprimentos”; amor quente e não amor frio — porque o frio simboliza a morte, o calor simboliza a vida.

Kundaliní – a serpente de fogo congelado

Nas muito antigas escrituras tibetanas, diz-se que um Mestre é como o fogo e o discípulo é como a água. Se o discípulo entra em contato profundo com o Mestre, a qualidade do discípulo muda e torna-se a qualidade do fogo, assim como a água evapora quando aquecida. A água sem o fogo move-se para baixo. Com o fogo imediatamente uma mudança acontece. Além dos cem graus, o fogo torna a água pronta para ascender; a dimensão muda, a transformação se passa.

O fogo move-se sempre para cima — mesmo que você vire a chama para baixo, ela sempre sobe, não pode descer. O fogo é um esforço para alcançar o ponto mais alto, o ponto ômega. Outra coisa: quando você observa uma chama, só pode vê-la por alguns segundos, por uma fração de segundos, e depois ela desaparece. Quanto mais alto você vai, mais desaparece; quanto mais você desce, mais sólido se torna.

Dessa forma, o fogo é um símbolo bastante significativo também de outras maneiras. Se você observar o fogo, verá um constante movimento ascendente. A água flui para baixo, o fogo flui para cima — é por isso que os hindus falam do ‘fogo da kundaliní’. Quando você se eleva, não está sendo como a água, mas como uma chama de fogo quente. Quando o seu ser interior muda, você sente uma chama subindo. Assim, até mesmo a água, quando em contato com o fogo, começa a evaporar para cima, e sublima.

As igrejas são contrárias à religião, porque religião é ser livre. Então o que passa? Jesus tenta falar de ser livre, tenta te dar asas. Assim, o que acontece depois, o que a igreja mostra? Ela surge porque Jesus vive num plano díspar de ser, em um plano de alma; aqueles que o ouvem, aqueles que o seguem, vivem no plano da mente, um plano de sono alto.

Julgam tudo o que ouvem; adivinham por meio de seus sonhos pessoais — e tudo o que eles criam é culpa. Cristo lhes oferece um meio de religar. E no curso de vida as pessoas que estão dormindo profundamente convertem isso em uma igreja.

Os Padres de Igreja e Satã

Conta-se que, certa vez, Satã, estava muito triste sentado sob uma árvore. Passou por ali um santo, olhou para Satã e disse: “Ouvi dizer que você não dorme nunca, que está sempre fazendo o mal em um lugar ou em outro. O que está fazendo aqui sentado sob uma árvore?”

Satã estava mesmo muito triste. Disse: “Parece que os padres assumiram a direção do meu trampo e eu não posso fazer nada — ninguém precisa mais de mim. Às vezes penso em me matar porque esses padres fazem a frente de tudo”.

Os padres andam muito bem porque mudam o ser livre em ser preso, mudam o ser livre em regras (ter que) — mudaram todas as coisas do plano da alma em coisas do plano do sono.

igreja
Fontes de culpa e medo

Assim, a fonte da palavra ‘pecado’ é estar fora de si. Não significa tentar algo ruim; esse signo simplesmente estar à parte, estar ausente. A raiz hebraica para a palavra ‘pecado’ significa estar ausente. Quando se está alerta, certas coisas são irreais.

Por isso, o signo do pecado: quando se está alerta, certas coisas não são viáveis — elas são pecados; estando alerta, somente certas coisas são possíveis — as ações de valor. Não existe nenhuma outra forma, nenhum outro jeito de definir. Você não pode se apaixonar se estiver alerta; a paixão é um pecado. Você pode amar, mas isso não será uma “queda” em paixão, será diferente, será como ficar melhor.

Os judeus e cristãos perderam muitas coisas bonitas porque tentaram forjar uma falsa harmonia. Há vinte séculos os padres e rabis se atraem pelo Demônio: “Como falar sobre isso?” Não é preciso, é muito simples, não há necessidade de explicações. Mas os padres e rabís cuidam de perto disso porque se o Demo existe, Deus deve tê-lo criado; caso contrário, como seria?

Se o Demônio existe, Deus deve ter permitido isso; senão, como existiria? E se Deus não pode destruí-lo torna-se frouxo, e então você não pode dizer que pode tudo. E se Deus criou o Demo sem saber que iria ser Demo, então Ele não sabe de tudo. Ele criou o Demo sem saber que isso faria crises em todo o mundo. Ele criou Adão sem saber que ele teria o fruto da Árvore! Como proibiu, então Deus não sabe de tudo. E se o Demo existe, então Deus não pode estar em tudo, pois quem então estaria presente no Demo? Portanto, Deus não pode estar em toda parte. Pelo menos não no coração do Demo. E se Ele está no coração do Demônio, por que então condenar o pobre Demo?

A árvore e o demônio na trama da vida

Existe uma trama — uma paz oculta. Deus proibiu Adão de comer só para tentá-lo: esta foi o primo tesão, porque sempre que se diz “não faça isso”, o tento vem. O Demo veio mais tarde — o primo tesão vem do próprio Deus. Se não fosse assim, se Adão fosse por si mesmo, seria quase irreal ele achar a Árvore da Noção do Bem e do Mal, pois tinham milhões de árvores no Jardim do Éden — quase irreal!

demônio
Mistérios ocultos do bem e do mal

Até hoje não achamos todas as árvores desta terra; muitas ainda estão ocultas, não deram com elas; há muitos tipos ainda para serem vistos. E esta terra não é nada — o Jardim do Éden era o jardim de Deus: milhões e milhões de plantas, sem fim. Adão e Eva, por si mesmos, jamais teriam visto — mas Deus os tentou. Veja bem: a tentação vem de Deus. E o Demo só é o outro lado do mesmo jogo. Deus tentou — “não coma!” — e de pronto todos notaram a Árvore, e assim surgiu o desejo.

Por que Deus proibiu? Deve haver algum motivo. Para Deus não é; Ele próprio come dessa Árvore; para nós — e assim a mente começou a jogar, e a partida começou. E então, como par na conspiração, vem o Demo, a serpente, e diz: “Comam! Porque se comerem, serão como deuses”. Este é o desejo mais forte da mente do homem: ser como deuses.

O Demônio usou o truque porque sabia da trama. Não se aproximou diretamente de Adão, fez através de Eva — porque se você quer tentar o homem, só pode fazê-lo através da mulher. Direto, não há tentação. A tentação veio através do sexo, e toda tentação vem pelo tino.

No ocidente, todos conhecem a história de Adão e Eva. Mas o que a maior parte das pessoas não sabe é que a primeira mulher que Deus criou não foi Eva. Foi Lilith — mas é crível que ela era fã da Ação Feminista. Ela criou problemas, porque disse: “Sou tão livre quanto você“. E no primeiro dia, quando foram dormir, começaram as rixas, pois tinham uma só casa, uma só cama. Quem iria dormir na cama e quem no chão? Lilith simplesmente disse: “Não! Você dorme no chão”. Foi assim que começou a Ação Feminista.

Adão não ouviu e Lilith desapareceu. Ela foi a Deus e disse: “Não vou jogar esse jogo”. E é assim que no Ocidente a mulher está sumindo — Lilith está desaparecendo — e com ela a beleza, a graça, e tudo o mais. Todo o jogo corre perigo pois existem mulheres que dizem: “Não ame um homem”.

Conflito, paz e Lilith a face oculta da lua

Lilith desapareceu, e por isso o jogo não podia continuar. Assim Deus teve de criar uma mulher. É por isso que Ele tentou dessa vez com um osso do próprio homem, pois uma mulher criada em separado traria os mesmos problemas. Assim, ele usou uma costela de Adão para criar a mulher.

lilith moon

Por isso há uma polaridade e também uma unidade. São dois mas pertencem ao mesmo tempo a um só corpo. Este é o significado: são dois, opostos, e ao mesmo tempo pertencem ao mesmo corpo, no fundo a raiz é a mesma; no fundo são um só corpo. É por isso que quando se encontram num abraço profundo e amoroso, tornam-se um só corpo; chegam ao estado em que Adão estava quando só; tornam-se um, fusão e diluídos.

Existem opostos para que haja o jogo, mas no fundo há uma união interna. As duas coisas são precisas para que o jogo siga: conflito e ainda assim paz. Se houver paz absoluta o jogo desaparecerá — com quem você iria jogar? E se houver conflito completo, se não houver nenhuma paz, então o jogo também sumirá.

Quando as crenças determinam o que se sente e o que se pensa

O passar dos anos vai trazendo a percepção de que existem condutas universais de afetividade, que não mudam. Tanto para quem busca expansão de consciência como para quem busca terapia, disfunções sexuais (Ex. diminuição de libido e problemas de desempenho sexual) podem estar relacionadas com crenças das mais diversas. Somente a terapia individual ajuda?

De fato, tenho notado que participar de grupos muitas vezes ajuda de forma mais efetiva muitas vezes do que a sessão individual. Nesse momento de incertezas, os grupos estão ocorrendo de forma bastante restrita, de qualquer forma, se permitir estar com pessoas que estão na mesma busca que você, é bastante enriquecedor.

Um grupo pode ter vários tamanhos e é interessante que se observe as “boas práticas”, com orientações, narrativas, dinâmicas meditativas, danças. Significa que um bom grupo não pode ser realizado com esses elementos? Não! A ideia do Tantra é trazer um sentimento de leela (que em sânscrito, significa brincadeira, jogo, diversão). Sem se perder de vista que o trabalho tem muita seriedade e atenção para com o ser e estar em si.

alívio da mente
Estar em um descampado, sem nada ao redor e acima, traz alívio à mente

Os estudos de neurolinguística comprovam que os seres humanos, a maior parte das espécies desse planeta, são seres sociais. E isso não significa negar qualificação técnica, pelo contrário: um ambiente efetivamente lúdico muitas vezes precisa estar amparado com os melhores artefatos técnicos. Tal qual um dos significados primordiais da palavra “Tantra”, que do sânscrito pode significar, “disciplina”, “técnica”, “método”.

Trabalhando com as crenças de Certo e o Errado sob o viés do Tantra

Normalmente, quando se trata de NeoTantra, as pessoas tendem a dizer que o Tantra não tem definição, porque ele é como se fosse a Matrix ou como se o Tantra simplesmente fosse. Um dos significados da palavra “Tantra” é “rede”, e nos termos mais abstratos, poderia levar alguém a perder uma objetividade com relação à concretudo de Tantra. Existem 7 escolas principais de Tantra. Dentro dessa gama de tradições, é possível encontrar referências muitas vezes contraditórias entre si. Tal qual o Yoga Sutra de Patañjali é importante para o Yoga (cuja raiz está no Tantra), o Vijñana Bhairava é um livro de sutras, com 112 técnicas ou métodos.

Muitas vezes, estar conectado com um grupo de Tantra Tradicional ou de NeoTantra, é fácil de identificar: quem está no NeoTantra normalmente diz que o “Tantra não nega nada”. Dentro da espiral de consciência, possivelmente as pessoas vão percebendo que “não negar nada” gera muitos problemas para a própria vida, até porque a trilha de expansão de consciência ou de terapia depende de uma variável fundamental: o tempo.

certo e errado tantra
A solução para aprendizagem está no errar e aprender o auto-perdão é importante no processo de crescimento

Não é à toa que as 112 técnicas do Vijñana Bhairava se encontram em tradições da mais variadas: do cristianismo católico aos sufis, do yoga à acumpuntura. Isso porque as 112 técnicas são eficazes para trazer a consciência o praticante ao momento presente. E depois do praticante estar no aqui e agora aí sim, o Tantra é, simplesmente porque o praticante já pode abandoná-lo, com o maior senso de presença possível. Porque são nesses estados de presença e autoconsciência que você vivenciará formas cada vez mais sutis de perceber e lidar com a realidade.

Teorias da Conspiração, a Ciência e o Tantra

Estamos vivendo no chamado mundo pós-moderno, e muitos estão vivenciando a liquidez tal qual Bauman. Nesse mundo, algumas pessoas vão tentar te vender pseudo-ciências. Uma dos 112 Sutras diz: “Cada qual é percebido através do conhecimento. O brilho no espaço, através do conhecimento. Observe e esteja em observação.” Nas tradições do Tantra que se utiliza luz que transforma a realidade”.

Então, um ponto fundamental, para quem segue a tradição Vijñana Bhairava: não se nega de nenhuma forma a ciência, o conhecimento. O Tantra propõe técnicas, e o conhecimento não nega o sentir, pelo contrário: o conhecimento transforma e ressignifica seus sentires ao longo do tempo.

A ciência em si constitui um grande diálogo, com um como fazer compartilhado. Então, se alguém publica um artigo científico, esse artigo pode ser experimentado por outras pessoas com um método científico. Os resultados da ciência dependem da “forma” como se faz. Em termos de vir ao momento presente, o Tantra é o como, a técnica e tecnologia. Essas 112 técnicas são propostas com base em perguntas. Uma delas: “Qual é a sua realidade”?

crenças nos levam a caminhos
Crenças nos levam a determinados caminhos

Hoje em dia, não é possível saber se as crenças conspiratórias estão alimentando ou sendo alimentadas por movimentos fundamentalistas religiosos. Talvez daqui 20 anos seja possível, com um distanciamento histórico chegar a alguma conclusão sobre esses momentos que vivemos; talvez seja preciso mais tempo. Isso porque, em ciência, causação não é o mesmo que correlação.

Nesse sentido, quando em um grupo, experiência e ou vivência tântrica o praticante se depara com suas próprias crenças e códigos, através de si mesmo ou do outro (espelho de si mesmo), um processo de catálise da mudança interna acontece. Na dimensão da sociologia e antropologia, os povos se distinguem através dos costumes e traços comportamentais.

“O Tempo e o Vento”

Assim, é o conjunto de hábitos ou crenças que definem uma comunidade ou uma nação. Quando há processos de mudanças sociais, há uma quantidade relevante de pessoas que vão resistir às mudanças.

É importante para quem começa a vivenciar o Tantra (seja individualmente, dupla ou em grupo) definir os critérios para selecionar a informação que se encontra na Internet. Compreender que a teoria e a prática estão relacionadas, mas que não adianta ficar lendo livros sobre natação, já que nada descreve tão bem experiência de cair na água e nadar, ou a experiência de andar de bicicleta. As experiências constituem conhecimento da realidade também. As 112 técnicas tem uma sistemática que você pode utilizar como quem utiliza um menu de um restaurante para aquele momento. O interessante da experiência vivencial é que ela te coloca em confronto com os próprios códigos, as próprias crenças.

Nesse sentido, o fundamental da aprendizagem é definido pelo próprio praticante, ainda que essa esse processo seja delimitado pelos limites daquela vivência específica. Uma vez que o observador parte da sua realidade e de seu ponto de vista, tendo em conta um contexto de vida do qual ele partiu, a experiência transforma e é transformada pelo conhecimento que se tem daquilo. No entanto, isso não significa que as práticas do Tantra são praticadas em consenso dentro das 7 tradições.

Fundamentalmente, trata de você ficar em paz com as suas decisões e deixar os outros em paz com as deles. A própria realidade vem de acordo com condições e valores pessoais, e tal conjunto de crenças podem ser compartilhadas, podem não ser. Então, quem passa por uma vivência de Tantra está percebe-se em um mesmo ambiente se importando pouco (ou menos) com a religião do outro. Cada grupo terá seus conteúdos específicos trabalhados. “Como estão os meus ventos internos, aqui e agora?”.

A morte é o último e primeiro mistério da existência e você sabe… poucos falam sobre esse assunto. Essa série é baseada em uma coletânea de pesquisas feitas através dos últimos cinco milênios. Realmente, a vida que você conhece é usada para colocar um cortina de fumaça densa para esconder de você uma única verdade, o erro da Matrix, o agora em agonia. Antes de continuar, me permita dizer que a oportunidade que você tem nesse momento é dada a poucos.

No fundo, você sabe, sistema e anti-sistema se esforçam para esconder de você a verdade mortal. Assim, toda essa cultura moral é construída para desconsiderar essa estridente, porém simples “verdade“. Você é mortal e pouco a pouco se despede da existência, desconsolada.

Da mesma forma que os tigres desenvolveram técnicas para que sua caça não o perceba, e dessa forma, o processo todo passa despercebido, quase inconsciente. Isso porque você criou para si a armadilha da inconsciência a respeito disso, e uma hora a conta chega, ah… sempre chega. Não há necessidade alguma de fazer qualquer alarde a respeito desse fato. E talvez seja o não alarde a maior armadilha de consciência que a própria humanidade desenvolveu para si mesma.

Portanto não há necessidade de entrar em pânico, ainda não chegou o tempo da sua morte, esse tempo fica para mais tarde. Se me permitir dizer para simplesmente respirar um pouquinho, não adianta parar de respirar enquanto lê esse texto. Na realidade, o tempo que você fica assim, com a respiração travada, você está adiantando a morte da sua vida. Apenas se conscientize de sua respiração nesse instante, se conseguir. Se não, talvez seja melhor parar de ler esse texto por alguns instantes. De forma a parar de sentir essa de angústia dolorosa no peito.

Sentenças da agonia do agora paradoxal

Talvez não esteja muito claro pra você se conversar sobre ela vai “ajudar” de alguma forma. Não posso te dar nenhum conforto nesse momento. Você sente atração pelo abismo, pela escuridão. Duvida? O que você acha que é aquela sensação de vertigem quando olha de um alto andar de um prédio?

Nietzsche

Quem combate monstruosidades deve cuidar para que não se torne um monstro. E, se você olhar longamente para um abismo, o abismo também olha para dentro de você

Enquanto verdade franca, acredito que esse seja o menor dos impactos que você vai ler nessa série. E também não adianta ficar elaborando explicações racionais e científicas, nesse caso, elas acabam se tornando uma fuga. Atualmente, não existem verdades científicas sobre isso, e talvez nunca existam. Mas tende dizer qualquer verdade religiosa para alguém que está em luto. Nada do que disser vai servir. Ela é o que é. Porém, ela costuma tomar conta da existência de alguns seres humanos, muitos inclusive, de forma paradoxal.

Antes mesmo da pessoa nascer a sentença é dada, e não adianta entrar em desespero. Assim, ninguém vai te salvar de si, da sua própria existência limitada. Família e vizinhos ausentes talvez te ajudem a passar pelo processo, porque chega um momento que sua consciência estala, e a vibração dela vem com uma profunda aceitação. Você compreende que lutar torna tudo muito pior, talvez mais rápido.

Não acredita? Sem problemas, o veneno só é veneno em determinada dosagem. Tentar adivinhar o plano que a vida tem para você é irrisório. Mesmo porque, a vida é a maior das predadoras, e como eu te disse na primeira parte da série, vida e morte são codependentes. Assim, a única salvação do agora é ter consciência de que todo o seu ser está agonia.